5 recomendações visam evitar excesso de exames e procedimentos em UTIs

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A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) acaba de lançar no XXIII Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva as cinco recomendações da campanha Choosing Wisely. A iniciativa foi lançada com o objetivo de conscientizar as especialidades médicas de que o uso de determinados procedimentos pode ser desnecessário e até mesmo maléfico para o paciente.

“Este projeto consolida um debate antigo. Estamos empolgados em promover essa discussão e é de suma importância a participação de todos os intensivistas, implementando e difundindo a ação para suas equipes e hospitais. A ideia do Choosing Wisely é contribuir com o diagnóstico e qualidade de vida do paciente crítico”, comenta o coordenador da campanha, Dr. Ederlon Rezende.

Confira as recomendações determinadas para os médicos e profissionais de UTI:

  1. Não usar ou manter antibióticos desnecessariamente

Restringir o uso de antibióticos para pacientes com infecção, sempre observando os critérios clínicos e pelo menor tempo possível. Descalonar o espectro antimicrobiano assim que as culturas estiverem disponíveis tem se mostrado a melhor prática segundo as evidências disponíveis.

2. Não usar sedação excessiva

Limitar o uso de sedação aos pacientes com indicação precisa, assim como utilizar a menor quantidade de sedativos possível, apenas com o objetivo de manter o conforto do paciente. Utilizar escalas para avaliar sistematicamente a titulação das doses das drogas em uso mostram melhores resultados nos desfechos clínicos.

3. Não manter o paciente imobilizado no leito, desde que não haja indicação precisa

A imobilização de pacientes críticos está associada a maior incidência de complicações e tempo de permanência no hospital. Existem evidências de que a mobilização precoce no leito e fora dele acelera a recuperação da doença crítica e melhora a qualidade de vida durante a internação e após a alta.

4. Não utilizar ou manter dispositivos invasivos desnecessariamente

A indicação e a manutenção de dispositivos invasivos devem acontecer sempre de forma restritiva, respeitando critérios precisos. A vigilância rotineira é indicada para limitar ao máximo a indicação e o tempo de utilização de tubos traqueais, sondas digestivas e urinarias, drenos cavitários e cateteres diagnósticos ou terapêuticos. Existem evidências indicando que recursos invasivos determinam infecções preveníveis e que o tempo de uso é prolongado por comodidade da equipe profissional, ou ausência de protocolos para retirada dos mesmos.

5. Não oferecer suporte avançado de vida a pacientes que não tenham
possibilidade de recuperação

Evite instituir ou manter suporte avançado em pacientes graves com alta probabilidade de óbito ou sequela significativa, sem considerar a possibilidade de instituir cuidado paliativo. As decisões clínicas dentro deste contexto devem ser tomadas sempre respeitando a vontade expressa do paciente ou de seus familiares, após amplo diálogo e consenso.

“Costumamos dizer que morrer com dignidade deve ser um processo indolor, que expresse um desejo de alívio dos sofrimentos, não apenas de natureza física, acompanhado de entes queridos e, muitas vezes, envolvido com a vivência religiosa do paciente no processo, respeitando suas crenças. Nós, como médicos, temos o dever de honrar esse momento”, comentou Dr. Cristiano Franke, diretor financeiro da AMIB e membro da comissão do Choosing Wisely.

“Acontece que, para o brasileiro, uma das prioridades para a hora da morte é viver o máximo de tempo possível. Temos esse desafio colocado e precisamos conscientizar cada vez mais sobre a qualidade na terminalidade”, finaliza o intensivista.

A Amib lançou também um portal sobre o assunto, onde é possível conferir as recomendações e metodologia empregada, além de baixar materiais sobre a iniciativa.

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