A importância do acompanhamento psicológico no tratamento oncológico

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No dia 27 de agosto é comemorado o Dia Nacional do Psicólogo. Este profissional busca compreender os comportamentos e as funções mentais, atuando de forma a manter a mente saudável em busca de melhor qualidade de vida. O psicólogo atua em diversos setores e com diferentes especializações, sendo uma delas a psico-oncologia, que consiste em oferecer suporte emocional ao paciente oncológico e aos seus familiares, auxiliando no enfrentamento e em todo o impacto que a doença causa.

O diagnóstico de câncer não traz somente prejuízos ao corpo, mas abala, também, o psicológico do paciente, assim como de familiares e amigos. Lidar com esse diagnóstico nem sempre é tranquilo. Ao longo do tratamento contra o câncer, contar com a orientação de um psico-oncologista é fundamental.

Segundo Bianca Paes, psicóloga do CON – Oncologia, Hematologia e Centro de Infusão, o apoio psicológico tem o propósito de acolher a expressão do sofrimento de todos os envolvidos, bem como fortalecê-los psicologicamente para enfrentar essa realidade. “Cada ser humano reage de uma forma quando tem que enfrentar um desafio e, por conta disso, não existe ‘receita pronta’ para lidar com um diagnóstico oncológico. Porém, é importante que o paciente esteja consciente do momento de vida que está passando, para que consiga encará-lo de forma mais fortalecida”, afirma a especialista.

Independente do sexo, os pacientes oncológicos têm medos e inseguranças relacionadas ao processo que terão que enfrentar. A maneira como o paciente enfrenta o seu diagnóstico e o seu tratamento depende dos seus recursos psíquicos internos, os quais foram estabelecidos a partir de experiências e vivências prévias. “Diante disso, acredito que o modo como o paciente consegue enxergar esse momento de vida atual, faz a diferença, ou seja, o seu olhar pode facilitar ou dificultar o enfrentar desse desafio”, comenta Bianca Paes.

A família é uma rede de suporte muito importante durante todo o processo. Assim como os parceiros diretos dos pacientes. Frequentar grupos terapêuticos é uma forma positiva para o paciente. “Os grupos funcionam como um espaço de partilha e troca de experiências. Com isso, o paciente se sente mais acolhido e percebe que não é o único que está vivenciando esse desafio”, explica Bianca.

Outro ponto importante a se abordar com o paciente oncológico é a transparência no diagnóstico. A psicóloga do CON explica que muitas vezes como forma de proteger quem amamos, preferimos omitir alguns fatos. Porém, quando trabalhamos com a verdade e somos sinceros com os nossos pacientes, eles ficam à vontade para tomarem as suas decisões e fazerem suas escolhas. “Sentimento de tristeza, raiva, medo e revolta fazem parte desse processo, mas apenas quando o paciente consegue expressá-los é que ele tem condições de elaborá-los. Quando usamos de não verdades, não damos condições para o paciente viver a sua realidade e privá-lo disso pode acarretar graves consequências”, explica.

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