Artigo – Telemedicina: saída para o gargalo da saúde pública

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Em 2018, o Brasil atingiu a marca de 450 mil médicos, o maior número da história. O patamar alcançado indica que há, em média, cerca de 2,18 médicos para cada mil habitantes no país, uma taxa muito similar a de países desenvolvidos como Estados Unidos e Canadá.

Apesar do avanço, a distribuição destes profissionais fora dos grandes centros urbanos ainda é um problema. Segundo o estudo “Demografia Médica 2018”, realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – FMUSP, nas localidades com até 20 mil moradores, que correspondem a 68,3% das cidades brasileiras, há menos de 0,40 médico por mil habitantes.

Para os pacientes que vivem em áreas rurais, a escassez é ainda mais evidente. Além da falta de serviços de saúde especializados, comunidades remotas, em muitos casos, não possuem profissionais residentes, o que implica em pacientes tendo que se deslocar para a cidade ou capital mais próxima em busca de atendimento e diagnóstico médico.

Deslocamentos podem trazer transtornos e desconforto aos pacientes em condições frágeis, que demandam cuidados especiais. É neste cenário que entra em cena a Telemedicina, mescla de procedimentos e tecnologias de telecomunicação como videoconferência, mensagens e troca de documentos que conecta médicos e pacientes de maneira remota.

Em territórios urbanos, onde a rotina também pode atrapalhar a ida do paciente ao médico, o uso dessas tecnologias já é uma realidade. Recentemente, uma pesquisa da Associação Paulista de Medicina e do Global Summit Telemedicine & Digital Health revelou que 82,6% dos médicos paulistas já utilizam algum tipo de tecnologia no dia a dia para a assistência aos pacientes.

A disseminação de dispositivos móveis e o acesso à internet permitem, por exemplo, que pacientes sejam atendidos em suas próprias casas. Pequenas unidades de saúde, por exemplo, podem se transformar em centros funcionais de especialidades com tecnologias facilmente disponíveis no mercado, interligando médicos dos centros urbanos aos pacientes das comunidades rurais.

Os moradores da cidade de Primavera do Leste (MT), que fica há pouco mais de três horas de Cuiabá, por exemplo, contam com uma unidade de tratamento em que pacientes têm acesso a profissionais de todas as especialidades da Medicina, que atendem em uma central em Brasília, que funciona desde 2015, do grupo Americas Health.

Graças à Telemedicina, o contingente desses especialistas pode ser otimizado, uma vez que a “presença” virtual deles permite atuação em várias praças simultaneamente. Além de levar saúde de qualidade a cidades do interior do Brasil, que nem sempre conseguem atrair médicos, a Telemedicina também beneficia grandes centros, pois reduz a lotação no sistema convencional causado pela grande demanda, ocasionada pela migração de pacientes atrás de tratamento.

Precisamos ver mais a tecnologia sendo usada a serviço da Saúde Pública.

Dr. Luis Henrique Leonardo Pereira é médico formado pela Universidade de Taubaté e mais de 10 anos de atuação no setor, é fundador da empresa MD Telemedicina e Diretor Técnico da startup Teldoctor

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