Artigo – Vantagens dos nãotecidos no mercado hospitalar

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Os nãotecidos têm evoluído de forma contínua no segmento médico hospitalar. O primeiro material a apresentar textura parecida com a dos atuais assemelhava-se ao papel e surgiu no Egito, em 2400 A/C. Em 1860, nos Estados Unidos, produziu-se a primeira roupa de papel e, em 1930, no mesmo país, ocorreu a primeira experiência para fabricação do nãotecido de celulose consolidado com látex. Desta data em diante o setor só fez inovar e hoje o mercado conta com diferentes tipos de produtos, que oferecem resultados superiores aos concorrentes (tecidos) no que tange à segurança, custo e sustentabilidade ambiental.

No Brasil, cerca de 20% do mercado médico-hospitalar tem adotado kits de produtos cirúrgicos de nãotecidos em substituição aos reutilizáveis. Preço baixo, facilidade operacional, já que não precisam passar por processos de lavagem e desinfecção, e maior eficiência como barreira para micro-organismos, são algumas das razões para a troca. Há que se ressaltar que eles também atendem a rigidez das Normas Técnicas Brasileiras (NBRs), estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que visam proteger adequadamente pacientes e funcionários do risco de contrair infecção hospitalar.

Por que, então, o uso de nãotecidos (toucas, máscaras, jalecos, camisas, camisetas, calças, aventais, campos cirúrgicos, compressas, embalagens para esterilização, paramentação odonto-médico-hospitalar, curativos, protetor oftálmico e outros) ainda não é adotado pela maioria dos estabelecimentos? A expectativa é que esse percentual cresça, conforme dúvidas a respeito desses produtos sejam sanadas e os gestores passem a ter plena certeza de suas vantagens.

Uma das dúvidas é em relação ao custo. Os nãotecidos são suprimentos de uso único, o que deixa a impressão de gastos excessivos com compras para reposição. Ocorre que os preços são bem inferiores em comparação com os similares feitos de tecidos. Além do mais, kit de uso único não precisa ser lavado e isso, por si só, gera economia de água e de produtos de limpeza e ganhos ambientais incontestáveis.

Enquanto sabão, desinfetantes e detergentes usados na lavagem são despejados no esgoto e chegam a rios e oceanos, o descarte de nãotecidos é feito de forma responsável, assim como deve ocorrer com todo lixo hospitalar para evitar contaminações externas. Em resumo: custo e impacto ambiental são menores.

Por serem de uso único, os kits de nãotecidos contribuem para minimizar contaminações e casos de infecção hospitalar. Mas não só por isso. Testes apontam que eles apresentam melhor desempenho em funções como barreira física a fluidos. Segundo avaliação do Comitê Técnico Médico Hospitalar (CTH) da ABINT (Associação Brasileira das Indústrias de Nãotecidos e Tecidos Técnicos), os kits cirúrgicos tradicionais perdem a barreira após serem usados seis vezes.

Esses fatores aumentam a eficácia dos tratamentos médicos e reduzem custos na medida em que as internações passam a ocorrer em períodos menores. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que dos mais de 234 milhões de pacientes operados por ano no mundo, um milhão deles morrem em decorrência de infecções hospitalares e sete milhões apresentam complicações no pós-operatório. Então, imagine o impacto positivo que os nãotecidos podem proporcionar no cotidiano de uma unidade hospitalar e à sociedade em geral.

Michele Louise é coordenadora do Comitê Técnico Hospitalar (CTH) da Abint (Associação Brasileira das Indústrias de Nãotecidos e Tecidos Técnicos) gerente comercial da Lifetex

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