Fibrose Pulmonar Idiopática: doença apresenta estimativa de vida menor que câncer

15304

 

Em data que promove a conscientização de doenças raras internacionalmente, 28 de fevereiro, a Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) se destaca como uma das oito mil doenças raras catalogadas que tem chamado atenção da classe médica e de pacientes em todo o mundo. Apesar de pouco conhecida, a FPI afeta entre 132.000 e 200.000 pessoas apenas nos EUA; enquanto no Brasil, estima-se que este número esteja em torno de 30.000 e 50.000 no País todo.

Com maior incidência em homens com faixa etária entre 50 e 70 anos de idade, a doença provoca o espessamento, rigidez e cicatrização do tecido pulmonar, resultando no declínio da função pulmonar, ou seja, compromete-se a transferência do oxigênio para a corrente sanguínea. O paciente que desenvolve FPI pode apresentar como sintomas a falta de ar, mesmo com atividades físicas leves, e a tosse seca crônica.

Segundo o especialista Dr. Adalberto Rubin, pneumologista da Santa Casa de Porto Alegre (RS), apesar destes  sintomas serem  evolutivos e sempre progressivos, eles podem ser, no início da doença, confundidos com o envelhecimento, doenças cardíacas, enfisema pulmonar, bronquite crônica ou asma. “Tudo isso contribui para que o diagnóstico seja muito lento. O paciente leva, em média, dois anos para ter a doença identificada e, nessa altura, seu pulmão já está altamente comprometido e sua expectativa de vida, reduzida.”, explica.

A sobrevida média do paciente diagnosticado com fibrose pulmonar idiopática é de três anos – uma taxa menor do que a de vários tipos de câncer como leucemia, de útero ou de próstata. “Por isso é tão importante a conscientização da sociedade para essa doença rara. Quanto antes o diagnóstico for feito, melhor será o tratamento dos sintomas e a qualidade de vida dos pacientes”, destaca Dr. Rubin.

“A origem da FPI é ainda desconhecida. Dentre os fatores associados ao desenvolvimento da doença estão o tabagismo, exposição prolongada a contaminantes ambientais, infecções pulmonares virais ou bacterianas e predisposição genética”, analisa o Dr. Adalberto Rubin. Até o momento, não existe cura, mas existem medicamentos capazes de reduzir o avanço da fibrose pulmonar idiopática, trazendo uma sobrevida maior a esses pacientes, porém ainda não disponíveis no Brasil.

Um dos sinais típicos no  processo de diagnóstico da doença são ruídos denominados “estertores tipo velcro”. Estes ocorrem em mais de 80% dos pacientes e podem ser detectados quando um médico, com um estetoscópio, ouve estes sons que são produzidos pelos pulmões fibrosados durante a inspiração.

Como se trata de uma doença crônica e evolutiva, a exemplo da Hipertensão arterial e da diabetes mellitus, o diagnóstico precoce exerce alto impacto no prognóstico e na intervenção medicamentosa. “Portanto, além da identificação precoce deste som específico da fibrose pulmonar idiopática, a confirmação da FPI deve ser feita por meio do exame de tomografia computadorizada de alta resolução, no qual achados radiológicos como vidro fosco, faveolamento e heterogenicidade associados a perda de volume do tecido pulmonar fica mais evidente”, complementa  Dr. Adalberto Rubin.

O Dia Mundial de Doenças Raras (28/02) é uma iniciativa coordenada pela Organização Europeia de Doenças Raras (Eurodis) e engaja setenta países na reflexão sobre saúde mundial. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a estimativa é de que as enfermidades consideradas raras afetem de 6 a 8% da população, ou seja, aproximadamente, 15 milhões de brasileiros. Considerando estas estatísticas e atendendo demanda da população, em 2014, foi lançada a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras, que evidenciou a importância de disseminar e formalizar direitos dos pacientes e informações acerca destas enfermidades.

Assista ao vídeo sobre FPI e saiba mais sobre a doença:

Deixe seu comentário