Hospital Felício Rocho e Feluma realizam procedimento inédito na América Latina

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Foto: Vinícius Nunes

A vida do jovem Iago Lopes dos Santos, 23 anos, mudou após dar entrada no bloco cirúrgico do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte (MG), no dia 7 de dezembro. O rapaz foi submetido à um transplante inédito na América Latina, no qual recebeu um rim com auxílio de cirurgia robótica.

Antes da cirurgia, Iago vivia no processo de hemodiálise por conta de complicações renais. Ele vive em Governador Valadares (MG), região do Vale do Rio Doce, e carecia se deslocar três vezes por semana à uma clínica para realizar o procedimento exaustivo que o mantinha vivo até que sua irmã, Viviane Lopes dos Santos, de 36 anos, foi diagnosticada como apta para a doação de um rim.

Após avaliações do corpo clínico do Hospital Felício Rocho, onde Iago procurou pelo Transplante Renal, a decisão foi realizar o primeiro transplante de receptor renal por via robótica da América Latina. Trata-se de um procedimento inovador, pouco invasivo, no qual o robô auxilia no implante do órgão no corpo do paciente por meio dos braços mecânicos. Tanta inovação é resultado de uma parceria entre o Hospital Felício Rocho e a Faculdade Ciências Médicas De Minas Gerais (Feluma).

Quem realizou essa etapa do procedimento foi o médico Cirurgião e Urologista Dr. Denilson Santos Custódio com o auxílio do Dr. Ricardo de Castro Gontijo, médicos do Hospital Felício Rocho com a Preceptoria do Cirurgião Geral, Dr. Enrico Benedetti, Chefe de Departamento da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos e seu auxiliar Dr. Pierpaolo di Cocco.

Antes disso, o médico urologista Dr. Marco Túlio Lasmar, retirou o rim da doadora utilizando o método laparoscópico. Depois, o órgão foi levado para o doador.

Dr. Marco Túlio já possui experiência nesse tipo de procedimento. Anteriormente, nesse ano, ele realizou a primeira retirada de um órgão por via robótica, também no Hospital Felício Rocho.

“O transplante renal é a melhor terapia de substituição renal em portadores de insuficiência renal crônica. Ele melhora a qualidade de vida e o tempo de vida desses pacientes. Implantar o robô nesse tipo de processo colabora ainda mais para essa cirurgia tornar-se segura, eficaz e para que a recuperação seja mais rápida e menos dolorida”, explica o Dr. Denilson.

Todo o procedimento durou cerca de três horas. Os médicos, fizeram pequenas aberturas no corpo do receptor através das quais foram inseridos os braços do robô. Depois disso, fez-se uma pequena incisão no abdômen e o órgão foi depositado na cavidade abdominal ao alcance da plataforma robótica. Então, os cirurgiões assumiram o controle do aparelho e aos poucos alojaram o órgão no local ideal. Feito isso, o cirurgião retirou o mecanismo e suturou as incisões no abdome do paciente.

Para a Equipe, o resultado foi excelente e foi fruto do grande envolvimento dos médicos Cirurgiões e Nefrologistas da Unidade de Transplantes do Hospital, Anestesiologia e Equipe de Enfermagem. Também foi fundamental a participação dos convidados estrangeiros que têm uma das maiores experiências mundiais neste tipo de cirurgia. O rim transplantado funcionou imediatamente. Iago ainda não recebeu alta porque está em observação por conta da complexidade do procedimento, mas ele não precisou de nenhuma nova sessão de hemodiálise após a cirurgia.

A plataforma robótica é de uma precisão gigantesca. Bastante usada em cirurgias de Próstata, de Rim, mas também em muitos outros tipos de procedimentos, de várias especialidades médicas e com resultados muito satisfatórios. Tudo isso porque o robô atua com uma visão tridimensional, magnificada, que capta detalhes anatômicos de uma forma ampliada e com ótima qualidade de imagem, além de uma maior amplitude de movimentos.

“Os benefícios da cirurgia robótica incluem uma série de vantagens: menos dor no pós-operatório, retorno precoce às atividades do dia a dia e até mesmo melhores resultados estéticos. Sem dúvida, esse procedimento realizado pela parceria do Hospital Felício Rocho com a Feluma é um avanço e tanto para a medicina brasileira e principalmente para os nossos pacientes”, conclui o Dr. Denilson Custódio.

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