Luta antimanicomial continua no Brasil

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A história dos hospitais psiquiátricos no Brasil é cheia de horrores e violações dos direitos humanos e a luta para extingui-los não acabou. Apesar da Lei da Reforma Psiquiátrica – que propôs a extinção progressiva dos manicômios – ter sido sancionada há 18 anos, ainda existem instituições desse tipo no país. O dia da Luta Antimanicomial é celebrado em 18 de maio e busca reacender o debate sobre o atendimento psiquiátrico brasileiro.

“Ainda há muita discriminação em relação aos pacientes com transtornos mentais”, disse o coordenador da graduação em enfermagem do Centro Universitário IESB, Alexandre Alberto Freire Jorge. “Apesar dos avanços que tivemos em reverter a visão de como deve ser o atendimento psiquiátrico, existem muitos resquícios culturais daquela época”, continua.

Existem hospitais psiquiátricos remanescentes, segundo o professor, como o Hospital São Vicente de Paulo em Taguatinga (DF). Uma das justificativas para a manutenção de manicômios é o atendimento a surtos, já que o paciente perde contato com a realidade e pode representar um perigo para si mesmo e para as pessoas próximas.

“A atenção primária de saúde também deveria dar suporte para esses casos. Por uma falta de preparo, ela não consegue fazer uma escuta qualificada dessas pessoas – o que poderia até evitar um surto”, diz Jorge. “Você acaba delegando a responsabilidade e criando uma hospitalização desse atendimento”, continua.

Para o movimento da Luta Antimanicomial, a internação deve ser feita apenas em último caso e preferencialmente em hospitais gerais, já que o isolamento do paciente pode até agravar sua condição. O atendimento psiquiátrico deve, portanto, ser feito por meio de centros de convivência e tratamentos ambulatoriais.

“No Brasil, temos muita gente entrando em sofrimento mental e as famílias também não estão preparadas para fazer o acolhimento necessário. O que é mais fácil? Solicitar a internação”, conta Jorge.

O Centro Universitário IESB possui um projeto para atendimento de pessoas em sofrimento psíquico. O Projeto Conviver adota uma metodologia inovadora na sua abordagem terapêutica, e as famílias são acompanhadas a partir de visitas das equipes a suas casas.

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