Maior entrave ao hospital do futuro é cultural, não tecnológico

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Hospital do futuro e tecnologia estão intimamente associados, mas, por incrível que pareça, o maior entrave quando se fala no assunto é cultural, pois a tecnologia para torná-lo realidade já existe. É o que revela Daniel Hoe, diretor de marketing da Salesforce para América Latina.

Ele conta que o prontuário eletrônico passa atualmente por uma transformação digital no país, mas ainda é comum que seja encontrado em silos, uma vez que cada hospital lidera a digitalização das informações de seus pacientes. “Assim, cada um tem a sua visão e uma parte do histórico do indivíduo”.

A disseminação do prontuário eletrônico como melhor prática é outro ponto citado por Hoe. Conforme ressalta, o papel ainda é uma ferramenta muito usada para guardar o histórico do paciente. O levantamento TIC Saúde 2015 aponta que 17% das instituições de saúde no Brasil com mais de 50 leitos para internação se apoiam unicamente em papel para registro das informações. “Além disso, embora o estudo aponte que os dados cadastrais do paciente estejam disponíveis digitalmente em 78% das instituições entrevistadas, lista de medicamentos prescritos e alergias estão presentes apenas em 40% das unidades entrevistadas”, expõe.

E como resolver esses entraves? Tendo o bem-estar do paciente como foco, deve-se seguir para uma integração dos prontuários, maior disseminação ou a centralização de dados, conta Hoe. Segundo ele, parcerias entre iniciativa privada em várias instâncias (clínicas e hospitais) e setor público ou associações de médicos são fundamentais. “Em relação ao maior uso do prontuário eletrônico, é necessário sensibilizar o setor quanto ao valor que a tecnologia pode prover, não apenas os executivos de tecnologia da informação, mas também os próprios profissionais de saúde”, acrescenta.

Vale lembrar que os Estados Unidos são uma referência no assunto. Hoe conta que o Michigan Health Innovation Network, uma joint-venture entre o Alligiance Hospital e a associação de médicos local, usou a tecnologia Salesforce para criar conexões de dados de pacientes, independentemente de onde fossem atendidos, para que o corpo clínico tivesse uma visão 360o e permitisse um melhor atendimento, assim como acompanhar de perto quais medicamentos são prescritos, elevando a segurança do paciente e a eficiência no tratamento.

No Brasil, há espaço para uma maior transformação digital nas instituições de saúde, mas a parte positiva, como salienta Hoe, é que a infraestrutura de tecnologia da informação – links de acesso, ferramentas, profissionais aptos – já está disponível. “Uma instituição pode ampliar sua digitalização de um mês para o outro”, garante.

Uma das soluções da empresa é o Salesforce Health Cloud, que conecta conversas, prestadores de serviços, sistemas clínicos e administrativos, como os registros médicos eletrônicos, e até dispositivos externos, como monitores de pressão e de glicose. “Todos têm a mesma visão, desde as equipes de gerenciamento de serviço e de cuidados aos prestadores e pacientes. Podem ser incluídos dados demográficos, estilo de vida, familiares, histórico de atendimento, dados de prontuário eletrônico, dispositivos e equipamentos médicos, dispositivos vestíveis e outros. Há também chat em vídeo para que os pacientes se conectem com suas equipes de atendimento médico a partir de um smartphone”, explica Hoe.

Nos Estados Unidos, 91% dos entrevistados com seguro-saúde no levantamento “State of the Connected Patient 2016”, da Salesforce, apontam que estão satisfeitos com seu médico, mas que usam canais tradicionais para se comunicar com eles, tais como consulta face-a-face (23%) e pelo telefone (76%). Contudo, 62% dos pacientes dizem-se abertos para abordagens virtuais ao acompanhamento médico, tais como videoconferências em assuntos não-urgentes.

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Matéria originalmente publicada na Revista Hospitais Brasil edição 83, de janeiro/fevereiro de 2017. Para vê-la no original, acesse: www.revistahospitaisbrasil.com.br/revista-digital/edicao-83-revista-hospitais-brasil

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