Modelo de visita ampliada do Hospital Moinhos de Vento ganha destaque

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Estudo realizado pela equipe assistencial do CTIA – Centro de Tratamento Intensivo Adulto do Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), destacando o benefício para o paciente da visita familiar ampliada foi publicado na revista americana Critical Care Medicine. O periódico é especializado em medicina crítica e dirigido a profissionais de saúde, gestores e cientistas.

Com o título “Eficácia e segurança de um modelo ampliado de visitas de UTI para prevenção do delírio: um estudo antes e depois”, a pesquisa mostrou que a adoção de um modelo de visita familiar estendida para 12 horas diárias na Unidade de Tratamento Intensivo resultou em desfechos clínicos positivos para os pacientes, como redução do delírio e do tempo de internação na unidade.

A pesquisa embasou o modelo de visita ampliada, que é atualmente adotado pelo projeto UTI Visitas, visando implementar e avaliar a flexibilização da presença de familiares em mais de 40 UTIs no país. Saiba mais no site www.utivisitas.com.br.

A publicação no Critical Care Medicine pode ser acessada no link goo.gl/opCtXh.

Projeto

O modelo de visita familiar ampliada com duração de 12 horas, das 9h às 21h, foi implementado no CTIA do Moinhos de Vento em 2015. No modelo anterior, a visita tinha duração de quatro horas e 30 minutos por dia, dividido em três períodos fixos.

Antes da implementação do horário ampliado, a equipe médico-assistencial da UTI foi envolvida no processo de planejamento do modelo ideal, que incluiu revisão da literatura, reformulação de processos assistenciais, discussão dos possíveis desafios para implementação e realização de um Simpósio Nacional de Discussão de Visita Familiar na UTI. Nesse encontro, foram ouvidos especialistas com experiência no assunto, profissionais de UTI, familiares e pacientes.

Após o planejamento, seguiu-se a estruturação do novo modelo, constituído por três princípios fundamentais: cuidados focados nas necessidades e segurança do paciente, de seus familiares e organização dos cuidados intensivos. A educação de todos os envolvidos foi eleita pelos desenvolvedores do projeto como principal meio facilitador para a implantação do projeto.

No Hospital Moinhos de Vento, a mudança gerou uma série de benefícios para a recuperação dos pacientes. Além de maior taxa de satisfação, houve melhora dos indicadores de qualidade assistencial, como redução de 50% na ocorrência de delírio – uma forma de disfunção cerebral muito comum em UTIs e associada à maior mortalidade e morbidade em médio e longo prazos – e redução mediana de um dia no tempo de permanência.

Regis Rosa

De acordo com o médico intensivista Regis Rosa, líder do projeto UTI Visitas, a presença do familiar possibilitou ainda: redução do estresse e ansiedade do paciente; melhor controle da dor; otimização da orientação do paciente; melhor entendimento por parte da equipe assistencial; e melhora da comunicação da equipe assistencial com o paciente.

“Já os familiares ficaram mais satisfeitos. O maior acesso às informações a respeito do estado de saúde e o melhor entendimento sobre a doença crítica aguda contribuíram para reduzir a ansiedade, o estresse e os sintomas de depressão dos parentes”, ressalta.

Com relação à redução de custos com a implantação do projeto, o entrevistado diz que é difícil precisar, mas que qualquer tecnologia que reduza o delírio é potencialmente custo-efetiva. “Pacientes com essa disfunção necessitam de maior tempo de permanência na UTI e maior necessidade de procedimentos diagnósticos e terapêuticos, ou seja, apresentam uma demanda maior por recursos de saúde durante a hospitalização”, expõe. Além disso, o delírio é um fator de risco importante para declínio cognitivo dos pacientes em médio e longo prazos, o que, também, pode gerar mais gastos em saúde.

Dr. Regis destaca, ainda, que a maior presença do familiar pode contribuir, através do feedback deles, por exemplo, para aprimoramento dos processos de comunicação dentro da UTI. “Também é uma oportunidade para a equipe identificar familiares sob risco de estresse psicológico, possibilitando ações preventivas e referenciamento precoce para acompanhamento especializado”, acrescenta.

Para não aumentar o nível de infecção proporcionalmente ao aumento do horário de visitas, o principal cuidado do hospital foi com a educação do familiar. “Todos que participam da visita ampliada passam por uma reunião de orientação a respeito de medidas de prevenção de transmissão de infecções e rotinas assistenciais”, explica o Dr. Regis. Isso foi crucial para minimizar os riscos de transmissão de infecções.

Matéria originalmente publicada na Revista Hospitais Brasil edição 87, de setembro/outubro de 2017. Para vê-la no original, acesse: portalhospitaisbrasil.com.br/edicao-87-revista-hospitais-brasil

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