O caminho para a eficiência no abastecimento dos hospitais (PARTE 2)

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Leia a primeira parte desta matéria em: portalhospitaisbrasil.com.br/o-caminho-para-a-eficiencia-no-abastecimento-dos-hospitais-parte-1

Por Carol Gonçalves

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A ESCOLHA DO PARCEIRO

Para que o fornecedor de suprimentos hospitalares escolha o melhor parceiro, Tamarozzi aconselha certificar-se de que o operador logístico:

  • Tenha todas as licenças e autorizações obrigatórias para trabalhar no segmento médico-hospitalar (ou produtos para saúde);
  • Possua um processo operacional implantado e seguro que garanta a integridade física dos produtos sob sua responsabilidade, assim como rastreabilidade de lotes, validade e demais dados logísticos pertinentes;
  • Preze por uma parceria de longo prazo, na qual ambos devem buscar a eficiência da cadeia logística como um todo, com foco na redução de custos e no ganho em qualidade;
  • Tenha um bom controle de informações, com respostas ágeis e seguras para tomadas de decisão;
  • Monitore e controle seus processos com indicadores de produtividade, desempenho e custos, visando ações para a melhoria contínua da operação.

A parceria entre operador logístico e cliente deve ser baseada em extrema confiança entre ambos. “A responsabilidade se assemelha à de um banco, que administra o dinheiro das pessoas ou empresas. O operador logístico, por sua vez, ‘administra’ ou ‘cuida’ do dinheiro dos seus clientes em forma de produto. Se a empresa vende, mas o operador logístico não entrega ou entrega errado, a contratante não recebe”, ilustra Tamarozzi.

De acordo com ele, o operador logístico deve ser visto como um parceiro estratégico, não somente pela responsabilidade de armazenar e entregar corretamente, mas também por fornecer informações adequadas, rápidas e seguras que proporcionem o suporte necessário para a contratante planejar suas compras, políticas de estoque e campanhas promocionais. Por exemplo, em alguns casos, pode auxiliar no desenvolvimento da embalagem dos produtos para reduzir o volume de estocagem e transporte e, consequentemente, diminuir os custos, sem alterar a imagem ou a integridade do item.

Nos casos de licitações, a flexibilidade operacional oferecida pelo parceiro pode trazer grandes vantagens em redução de gastos e eficiência para atender ao cliente final. “Nas situações em que grandes lotes são comprados e vendidos rapidamente, porém com muita sazonalidade, o custo da infraestrutura aplicada a esta operação será correspondente ou proporcional apenas ao espaço e a equipe utilizados no período exato à sua comercialização, eliminando a necessidade de a empresa manter espaço e equipe que ficarão ociosos quando não houver este tipo de operação comercial”, acrescenta Tamarozzi.

Para o cliente final, ou seja, hospitais e clínicas, o operador logístico pode também funcionar como um equalizador de estoques. O sócio-diretor da Stralog diz que os processos de abastecimento das clínicas e hospitais e a utilização dos produtos, para consumo ou aplicação, se assemelham a uma linha de produção gerenciada com a metodologia just-in-time, ou seja, recebe somente o necessário, no momento certo (veja na matéria a seguir um case de hospital que aplicou esse conceito na área de medicamentos). Dessa forma, evita acúmulos de estoque, proporcionando melhor gestão financeira de capital imobilizado e menor utilização de espaços.

Sobre o “medo” da terceirização, Tamarozzi diz que existem alguns riscos atrelados, porém, tomando os cuidados já expostos e escolhendo o parceiro logístico que tenha estrutura compatível com o tamanho e objetivos da empresa, os benefícios e as oportunidades são muito superiores aos riscos.

“Existem também meios de ‘testar’ a operação terceirizada sem que seja transferido 100% do estoque para o operador logístico, realizando e monitorando constantemente os processos e níveis de serviço até que a contratante se sinta confortável e confiante no serviço prestado por seu parceiro”, sugere.

TECNOLOGIA

Atualmente existe uma grande variedade de ferramentas que auxiliam nos controles logísticos. Uma das mais importantes é o WMS – Warehouse Management System, sistema responsável pelo registro e controle dos processos de armazenagem, desde o recebimento dos produtos até a expedição. Com ele é possível rastrear qualquer item do estoque, através do código, lote ou validade. Também oferece recursos para diferentes processos de separação que podem ser adequados com a dinâmica da empresa e características de produtos. Além de funcionalidades auxiliares de inventários, integrações com ERPs (Enterprise Resource Planning, ou planejamento dos recursos da empresa), suporte a faturamento e integrações com radiofrequência.

“Porém, antes de procurar uma ferramenta de WMS, é fundamental que o fluxo operacional e a troca de informação na cadeia logística estejam muito bem definidas pois, só assim, o WMS trará agilidade ao processo e segurança nas informações”, avisa Tamarozzi.

Outra ferramenta bastante utilizada é o TMS – Transportation Management System, responsável, entre outros, pelo monitoramento e roteirização das entregas, garantindo informações rápidas e precisas sobre os produtos que estão em trânsito. Também há soluções de BI – Business Inteligence, responsáveis por gerar relatórios com indicadores operacionais fundamentas para o monitoramento das operações, auxiliando em rápidas tomadas de decisão.

(Continua…)

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