Professor da FGV EMAp acredita que casos de dengue e chikungunya podem aumentar até o fim de maio

O médico epidemiologista e professor da Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV EMAp) Eduardo Massad acredita que os casos de dengue e chikungunya devem crescer até o final deste mês. Segundo ele, apesar de a temporada de chuvas ter chegado ao fim, a proliferação do mosquito Aedes aegypti tende a continuar porque seus criadouros – depósitos de água no nível do solo e nos lixos – ainda permanecem encharcados.

Outro motivo é a maior circulação no país do subtipo 2 do vírus que causa a doença – entre quatro possíveis. “Nos últimos anos, o subtipo predominante foi o tipo 1, seguido do 4 em algumas regiões. Os dados da rede de saúde analisados este ano mostram que 85% dos casos de dengue registrados são do subtipo 2. Portanto, as pessoas estão mais suscetíveis a esse tipo”, explica Eduardo Massad.

Em relação ao controle eficiente do Aedes aegypti, o professor da FGV EMAp diz estar muito pessimista. De acordo com ele, o mosquito é a terceira maior praga urbana, perdendo apenas para os ratos e baratas. “O mosquito é muito adaptável, é impossível erradicá-lo. Contudo, existe um movimento de pessoas que não acreditam na eficácia das vacinas e não aceitam a vacinação contra a febre amarela, uma das doenças transmitidas pelo mosquito. Isso é inadmissível, porque prejudica os níveis de cobertura”, aponta Massad. Uma das medidas para amenizar os casos de febre amarela, o pesquisador aponta, é vacinar os macacos de parques e áreas verdes dos grandes centros urbanos.

Nos últimos três anos, Massad lembra que houve poucos casos de chikungunya e outros raros de dengue e zika, quando comparado com anos anteriores. “Esse fato é um mistério, por que não se deve a medidas de controle. Provavelmente, os fatores climáticos que reduziram a quantidade de mosquitos foram a causa da queda. Ainda não sabemos se teremos um surto de febre amarela urbana, mas teremos a silvestre, que é a transmitida por macacos”, explica o médico epidemiologista. Para ele, não há medidas novas na prevenção das doenças transmitidas pelo aedes aegypti no Brasil e no mundo, além da tentativa de eliminar o criadouro do mosquito.

Sarampo – O professor e pesquisador da FGV EMAp diz que o governo federal não se preparou e não conseguiu controlar a transmissão do sarampo trazida por imigrantes venezuelanos. “Os níveis de cobertura estão em torno de 80%. O certo é chegar a 95%. O movimento contra a vacina prejudica a erradicação de uma doença que matou recentemente pessoas na Itália e na França.

Obesidade – Eduardo Massad lembra ainda de outra epidemia: o problema da obesidade no país, que, de acordo com ele, é a que mais gera danos à sociedade. “Ela causa hipertensão, diabetes e diversas outras doenças. A principal medida para controlá-la é a educação e uma política que proíba propagandas de alimentos obesogênicos”, aponta o pesquisador da FGV EMAp.

Redação

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