Saúde teve um ano de crise e transformações que se intensificarão em 2018

62

O ano de 2017 foi de crises para a área da saúde e, ao mesmo tempo, de transformações que devem continuar em 2018. Melhoria da gestão, aprimoramento do modelo assistencial, ética, mudanças no modelo de remuneração, Saúde 4.0 foram temas que pautaram as discussões e que devem se aprofundar em 2018.

Esta foi a principal conclusão do  painel Saúde: Balanço 2017 e tendências para 2018, que contou com as participações de Antonio José Rodrigues Pereira, Superintendente do Hospital das Clínicas de São Paulo; Dirceu Barbano, consultor da B2CD e ex- Diretor Presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitário); Francisco Balestrin, presidente do Conselho de Administração da Anahp (Associação Nacional dos Hospitais Privados) e Gonzalo Vecina, Professor Assistente da Faculdade de Saúde Pública da USP e ex-Superintendente Corporativo do Hospital Sírio Libanês.

O debate foi realizado ontem durante o encontro anual da ABIMED – Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde, que reuniu em São Paulo autoridades e lideranças de saúde dos setores público e privado do país.

“A crise criou uma necessidade de melhorarmos a gestão e a transparência e gerou uma cultura de resultados que veio para ficar”, afirmou Rodrigues Pereira.

Para Vecina, uma das questões fundamentais em 2018 será discutir o tipo de assistência que o país quer prestar. E, segundo Barbano, temas estruturais da saúde como este precisam envolver o SUS (Sistema Único de Saúde) que, a seu ver se afastou dos debates.

“Em 2017 ficou claro que o futuro chegou. Vivemos uma fase de transição. A visão de saúde que tínhamos não será mais a mesma e em 2018 teremos que enfrentar as grandes questões da saúde”, ressaltou Balestrin.

Balanço

Após quatro anos no comando da ABIMED, Fabrício Campolina, presidente do Conselho de Administração da entidade, fez um balanço de sua gestão, apontando marcos importantes de crescimento e reposicionamento institucional da associação.

Campolina destacou, entre outros pontos, o aumento de 80% no número de associados, acordos de cooperação com o Ministério da Saúde e Anvisa, a realização de campanhas em prol da inovação e do acesso da população a novas tecnologias e o fomento da ética e transparência no setor de produtos para saúde.

O executivo apresentou ainda os 11 dirigentes que assumirão o Conselho da Administração da ABIMED a partir de 1º de janeiro de 2018, sob a presidência de Felipe Kietzmann, da Alcon, e os integrantes da Comissão de Ética.

Por vídeo, Kietzmann apontou as prioridades de sua futura gestão e destacou que a ABIMED continuará a trabalhar ativamente para reforçar o valor da tecnologia e a ética no setor.

Durante o encontro, a ABIMED também lançou a quinta versão atualizada do Código de Conduta da entidade. A primeira foi elaborada em 2006 e, desde então, vem sendo revisada periodicamente para se adequar às melhores práticas nacionais e internacionais de ética.

Setor de equipamentos e dispositivos médicos volta a crescer em 2017

Alta foi impulsionada pelas importações e necessidade de reposição de produtos

Depois de dois anos de retração, com queda de dois dígitos no consumo aparente, o setor de produtos para saúde registrou uma discreta recuperação e deverá encerrar 2017 com crescimento ao redor de 1%. O resultado foi puxado principalmente pelo aumento das importações, que cresceram 3,7% no acumulado de janeiro a setembro deste ano.

O balanço de desempenho do setor foi apresentado ontem pela ABIMED no encontro anual da entidade, em São Paulo.

Segundo Carlos Goulart, presidente executivo da entidade, o perfil das importações revela que a retomada ocorreu mais em função da necessidade de repor produtos por parte dos estabelecimentos de saúde do que em decorrência de novos investimentos – o que se espera que volte a acontecer em 2018.

“O segmento que registrou maior aumento de importações, com índices ao redor de 15%, foi o de materiais, suprimentos e mobiliário. Já a compra de equipamentos, que ocorre quando os prestadores de serviço estão investindo na atualização ou expansão do parque, não registrou resultados expressivos”, explicou.

Os dados de emprego também foram positivos, com a geração, até setembro passado, de 2.253 novos postos de trabalho nas atividades industriais e comerciais. Com esse acréscimo, o total de trabalhadores no setor se elevou a 134,4 mil – um crescimento de 1,7% no acumulado do ano, que acompanhou a retomada de empregos nos demais setores do mercado formal de trabalho do país.

Já as exportações recuaram 7,7% nos nove meses do ano, exceto nas áreas de cardiologia, diagnóstico por imagem e oftalmologia, que cresceram 42%, 30% e 9,5% respectivamente.

“Esses resultados demonstram que o Brasil não é competitivo no comércio global de dispositivos médicos, exceto em nichos específicos, e que tem um longo a caminho a percorrer para se inserir nesse mercado”, assinalou o executivo.

Da mesma maneira, a produção local de instrumentos e materiais para uso médico e odon­tológico, nos nove meses do ano, recuou 2,3%, enquanto as vendas cresceram cerca de 1% no mesmo período.

Deixe seu comentário