Tecnologia blockchain pode ajudar a vencer barreiras da interoperabilidade (PARTE 3)

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Leia a primeira parte desta matéria em: portalhospitaisbrasil.com.br/tecnologia-blockchain-pode-ajudar-a-vencer-barreiras-da-interoperabilidade-parte-1

Leia a segunda parte desta matéria em: portalhospitaisbrasil.com.br/tecnologia-blockchain-pode-ajudar-a-vencer-barreiras-da-interoperabilidade-parte-2

Por Carol Gonçalves

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Pesquisa publicada em 2016 pelo IBM Institute for Business Value, realizada junto a 200 executivos da área de saúde em 16 países, mostrou que 16% esperam ter uma solução comercial de blockchain ainda em 2017.

Revelou também que seis em cada dez pioneiros-empreendedores da saúde antecipam que a tecnologia blockchain irá ajudá-los a acessar novos mercados, novas ferramentas e soluções mais confiáveis para o ecossistema da saúde. Sete em cada dez apostam que o núcleo revolucionário do conceito-tecnologia-blockchain está nos EHRs.

Não faltam sinais de agitação por todos os lados. Na Estônia, por exemplo, considerada por muitos como a mais avançada “blockchain nation” em termos de serviços governamentais, todos os registros de saúde médica já estão armazenados e disponíveis on-line. Ainda não estão habilitados para blockchain, mas em 2016 o país anunciou sua intenção de disponibilizá-los aos pacientes nessa plataforma.

Na Suíça, o Healthbank, a primeira plataforma no mundo em transações citizen-owned, já planeja aderir ao blockchain. O banco busca dados em todos os players da cadeia de saúde para que seus participantes possam compartilhá-los para fins de pesquisa. Dados como padrões de sono, glicose e frequência cardíaca são extraídos de wearables e outros devices, somando-se às informações de prontuários eletrônicos, gerando um portfólio consistente de conhecimento clínico. Todos esses dados poderão ser armazenados e consultados utilizando um blockchain do Healthbank.

INVENCÍVEIS?

Os blockchain são inexpugnáveis? É certo que não. Em dezembro de 2016, a Ethereum sofreu dois cyber-attacks que desligaram uma grande parte de seus nós. A violação de dados (contratos) afetou mais de 16.000 usuários da plataforma, gerando perdas superiores a US$ 60 milhões. Mas não tenhamos ilusões: ataques dessa natureza ocorrem todas as semanas, envolvendo milhares de empresas, incluindo dezenas de bancos, sem que qualquer um deles esteja necessariamente em ambiente de blockchain.

Certamente que ainda estamos em terreno pantanoso, quase experimental, onde não faltam armadilhas e desafios: vendedores mágicos de blockchain-solutions, os desavisados que as compram, a indredulidade da comunidade médica, pacientes com medo de ceder seus dados, excesso de otimismo e plataformas imaturas de infraestrutura.

Mas o tempo e a corrida pela hegemonia de padrões podem integrar interesses e ideias. Da mesma forma como ocorreu no sistema financeiro, que possui o R3Cev, um consórcio de 45 bancos membros que desenvolve o uso da tecnologia blockchain, o setor de saúde também pode criar algo do tipo. Múltiplos consórcios, cada um representando um bloco, poderiam se integrar gerando cadeias, que uniriam esforços para obter uma informação clínica íntegra, confiável e de baixo custo.

HIMSS@Hospitalar 2017

A interoperabilidade é uma das verticais temáticas do HIMSS@Hospitalar, fórum que absorveu o Digital Healthcare e que acontece durante a 24ª edição da Hospitalar, de 16 a 19 de maio de 2017, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP). Intitulado “eHealth.17 – The End of the Beginning”, o evento é um dos mais relevantes da América Latina quando se fala em saúde digital e vai analisar a maturidade atual do mercado passada a primeira década de sua expansão.

Serão mais de 30 speakers (cerca de 20 internacionais), o equivalente a 20 horas de exposição contínua de conteúdo da mais alta relevância, abordados por especialistas do mundo todo, além de live-stream dentro da Hospitalar. O programa do fórum está dividido em oito verticais temáticas: Innovation Solutions for Hospital Chain; Venture Capital Supporting eHealth Revolution; TeleHealth, MedDevices and mHealth; Consumerization of Healthcare; Healthcare Privacy & Security; Health Interoperability Challengers; EHR – New Generation & Best Implementations; e Pharma Demand-driven. A coordenação científica e de conteúdo é de Guilherme S. Hummel, do eHealth Mentor Institute.

Importante salientar que o HIMSS@Hospitalar é resultado de uma parceria formada no final de 2016 entre a UBM Brazil, braço do grupo britânico UBM, líder global em mídia de negócios e segunda maior organizadora de eventos no mundo – organizadora da Feira + Fórum Hospitalar – e a HIMSS – Healthcare Information and Management Systems Society, organização global sem fins lucrativos, sediada nos Estados Unidos e focada em melhorar a saúde através da tecnologia da informação.

Mais informações no site www.hospitalar.com, na área de fóruns.

Matéria originalmente publicada na Revista Hospitais Brasil edição 83, de janeiro/fevereiro de 2017. Para vê-la no original, acesse: portalhospitaisbrasil.com.br/edicao-83-revista-hospitais-brasil

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