Terapia da Compressão

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A meia elástica é eficaz para evitar o aparecimento de varizes? É orientação médica para comprá-la? Ela tem prazo de validade? Essas e outras perguntas são respondidas no primeiro livro brasileiro sobre o tema: “Terapia da Compressão” (Editora Di Livros), do angiologista mineiro Marcondes Figueiredo. O livro está chegando às livrarias especializadas em livros médicos agora em novembro.

Com linguagem clara e objetiva, o livro ilustrado tem 130 páginas e é indicado para orientar médicos e profissionais que trabalham com pacientes propensos a doenças venosas tais como enfermeiros, fisioterapeutas e estudantes da área.

A meia elástica é recomendada para tratar e prevenir úlceras de origem venosa, o edema postural na gestante, auxilia nas consequências das varizes e do linfedema (inchaço) dos membros inferiores. Nas atividades físicas, novos estudos mostram que a meia melhora a performance e a recuperação do atleta.

De acordo com os estudos apresentados no livro, as varizes estão presentes em cerca de 40-50% da população adulta, sendo mais prevalente nas mulheres. Nas grávidas, pode chegar a 50-70%. Figueiredo explica que as varizes regridem em sua grande maioria nos pós-parto e o tratamento das que não desapareceram deve ser iniciado apenas três meses após o parto.

Segundo Figueiredo, autor de mestrado sobre o tema e capítulos em outros livros, a meia elástica não evita o aparecimento das varizes, mas diminui a sensação de cansaço e dor. “Comprar uma meia sem orientação médica é um problema, pois pode causar desconforto, garroteamento ou não ter ação nenhuma se tiver a compressão errada, portanto a meia deve sempre ser prescrita por um profissional da área da saúde e com as medidas, a compressão e o modelo”, orienta o especialista.

A compressão das meias existentes no mercado, expressa em milímetros de mercúrio (mmHg), varia de 15 a 50-60 mmHg. Figueiredo explica que para a compra é preciso a orientação de um especialista, pois é preciso saber as medidas da panturrilha e tornozelo, além da compressão exata para cada caso. Ele alerta ainda que se for de uso diário, a meia tem durabilidade de 4 meses. “Após esse tempo, ela perde a compressibilidade”, diz. Ele afirma também que é errado pegar uma meia emprestada para usar. “Cada pessoa terá a prescrição para uso de uma meia em específico. O que pode acontecer é você não se adaptar à meia da outra pessoa e achar que a meia é ruim de se usar”.

Uma boa notícia é que as fábricas já estão produzindo meias de várias cores, tornando-as mais fashion.

A obra apresenta ainda pesquisas sobre o uso da meia com a finalidade esportiva. Estudos preliminares mostram a diminuição de lesões musculares ao se utilizar meias compressivas. Inicialmente conhecida entre os corredores de longa distância, mais recente a meia vem sendo utilizada em outros esportes.

“Fizemos um estudo com jogadoras de voleibol em 2011, publicado no Jornal Vascular Brasileiro. Quando elas utilizaram a meia, os biomarcadores de lesões musculares (CK, DHL e MB) tiveram menores níveis plasmáticos. Desta forma, o estudo demonstrou que a meia amenizou o trauma na musculatura do atleta durante a atividade física”, afirma Marcondes. A compressão desse tipo de meia varia de 15-30mmHg.

A meia de suporte ou preventiva, também conhecida como meia ocupacional (de 18 mmHg), está sendo avaliada pelo Ministério do Trabalho para tornar-se EPI (equipamento de proteção individual), como capacete, protetor auricular, óculos mascaras. O objetivo é diminuir a falta dos trabalhadores que permanecem mais de 6 horas em pé.

 

Benefícios da terapia compressiva:

– redução do edema

– alívio da dor

– melhora da microcirculação

– diminuição do volume venoso

– diminuição do volume hemático

– aceleração da velocidade do fluxo venoso e linfático

– redução dos refluxos venosos

– melhora da drenagem linfática

– melhora da mobilidade articular.

 

Dicas do livro:

– A meia não evita o aparecimento das varizes na gestação, mas melhora os sintomas, previne flebite e trombose em pacientes que desenvolvem sintomas e sinais de insuficiência venosa durante a gestação. Mesmo assim, o profissional deve informar à gestante que as varizes regridem em sua grande maioria nos pós-parto e o tratamento das que não desapareceram deve ser iniciado apenas três meses após o parto.

– A causa mais aceita atualmente para o aparecimento de varizes em mulheres gravidas são os hormônios. A progesterona provoca o enfraquecimento do tônus muscular da parede venosa. E o estrogênio provoca a elevação do fluxo arterial do útero e da pélvis.

– A compressão ameniza o edema, diminui o volume do sistema venoso superficial, aprimora a fração de ejeção da panturrilha, reduz o diâmetro das veias e restaura a competência valvular. Esses benefícios se limitam ao tempo de uso da meia, pois, após a sua retirada, o efeito hemodinâmico que ela provoca no membro cessa em cerca de 1 hora.

– A meia deve ser calçada sempre ao se levantar. Isso pode ser feito nos primeiros 30 minutos depois de se levantar, não se pode, entretanto, vestir a meia além de 3-4 horas após ter se levantado e caminhado.

– A meia pode incomodar no primeiro momento. É preciso orientar a usá-la apenas pela manhã na primeira semana, na segunda semana usá-la 1-2 horas a mais e a partir da terceira semana usá-la até o final do dia. Também se pode indicar o uso por 5 semanas e descansar 2 dias ou em dias muito quentes.

– A sobreposição de meias é indicada em pacientes idoso, que têm dificuldade de vestir uma meia de compressão mais alta. Ou seja, pode-se usar uma meia de compressão de 20 mmHg de mercúrio sobre outra de mesma compressão.

 

Autor 

Dr. Marcondes Figueiredo, angiologista, iniciou seus estudos em terapia da compressão em 1997, visitando todos os fabricantes e representantes de meias elásticas no Brasil. Em 2004, apresentou dissertação de mestrado “Avaliação do efeito da meia elástica na hemodinâmica dos membros inferiores de pacientes com insuficiência venosa crônica”. Fez Doutorado em 2007 pela Unifesp. É autor de diversos capítulos de livros sobre a terapia da compressão. É membro efetivo do International Compression Club (ICC) e da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV).

 

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