A importância do psicólogo no apoio aos pacientes e familiares numa instituição hospitalar

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“A missão do psicólogo é ajudar as pessoas a lidarem com suas próprias questões, emoções e sofrimentos”, frisa a psicóloga Fernanda Rodrigues, pós-graduada em Clínica Psicanalítica pela Universidade Gama Filho e especializada em Psicologia Clínica. Desde 2005 é coordenadora da área de psicologia da Casa de Saúde Saint Roman, do Rio de Janeiro (RJ), que há 48 anos atua no tratamento de pacientes psiquiátricos e dependentes químicos. Segundo Fernanda, sua experiência passa por todos os quadros graves psiquiátricos e de dependência química no atendimento aos pacientes e família.

“Nosso trabalho é muito importante e essencial para os pacientes e familiares. Muito do processo de uma internação é passado pelo psicólogo que oferece uma escuta nesse momento tão sofrido e um maior entendimento da doença e da pós internação”. Segundo ela, muitas dessas famílias se sentem perdidas, sem orientação, talvez encarando pela primeira vez o contato com a psiquiatria, que, ao seu ver, ainda carrega muito estigma e preconceito. “O psicólogo, juntamente com a equipe psiquiátrica, acaba podendo tratar e orientar para a continuidade do tratamento e a busca pela qualidade de vida, evitando assim  novas internações. Também é importante na elaboração, execução e desenvolvimento do trabalho”.

Segundo ela, através de um processo de auto-conhecimento e utilização de técnicas psicológicas, a pessoa apreende seu funcionamento psíquico e comportamental, entendendo melhor a sua relação consigo mesmo e com o meio social. “Dentro de uma equipe multidisciplinar, o psicólogo pode contribuir com percepções e análises mais profundas a respeito de cada caso. Como ele investiga as demandas dos pacientes, coopera juntamente com toda a equipe, na definição dos projetos terapêuticos para cada paciente”.

Fernanda Rodrigues informa que tem percebido que a psicologia perdeu um tanto do preconceito que a cercava, pois ganhou maior reconhecimento por parte da sociedade. “Justamente por ser um profissional de saúde a quem se pode recorrer quando existe essa indicação, sendo sua ajuda muito importante efetivamente. Percebo também, a psicologia entrando em outras áreas de forma bastante influente como na área escolar, esportiva, do trânsito, jurídica e hospitalar”, frisa.

Ela ressalta que para ser um bom profissional, além do desejo de ajudar o outro e ter empatia, é importante que o profissional que irá atender pacientes faça a sua própria análise pessoal, faça supervisões de seus casos regularmente e mantenha seus estudos.

Na sua opinião, com o surgimento de tantas doenças mentais e para tantos sintomas e síndromes novas são exigidos estudos cada vez mais contemporâneos aos novos tempos, pois as relações humanas apresentam mudanças e novas organizações que precisam ser acompanhadas e compreendidas. “Tomamos como exemplo o mundo virtual. Sinto que há uma demanda pelo tempo e as pessoas querem respostas e melhoras rápidas, mas por mais que haja novas técnicas, não podemos nunca deixar de respeitar o tempo de cada um para sua mudança”.

Na Casa de Saúde Saint Roman, Fernanda Rodrigues coordena o grupo de psicólogos, conselheiros e demais terapeutas da Clínica, como o professor de educação física, professora de yoga, psicóloga de cantar-terapia e arte-terapeuta. Também é responsável por elaborar as grades de atendimentos dos pacientes e o atendimento de um grupo de orientação familiar. “Realizo uma grande parte das triagens, atendimentos destinados as famílias de primeira internação. Também participa das reuniões de equipe onde colabora com a construção dos projetos terapêuticos  e discussão dos casos dos pacientes, e da reunião do COIT (Centro de Orientação e Integração Técnica) onde são definidos os planos de ação da clínica”.

Sobre o Dia do Psicólogo, ela enfatiza que a profissão é uma missão, carregada de desafios e gratificações. “Vamos comemorar nosso dia e continuar nossa luta pelos nossos pacientes e nossa profissão. Os dois dependem de nós! Finalizo com uma citação de Freud: Em última análise, precisamos amar para não adoecer”.

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