Aumento nos casos de câncer de mama em idosas chama atenção de equipe médica do Moinhos de Vento

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O avanço da idade está associado ao aumento da probabilidade de desenvolver câncer. A comprovação dessa afirmação também está sendo percebida nos atendimentos realizados no Núcleo Mama do Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (PR). A incidência de mulheres da terceira idade que chegam à unidade com câncer de mama em estágio avançado cresceu consideravelmente nos últimos seis meses.

O aumento da expectativa da população serve de alerta para que mulheres dessa faixa etária se previnam, principalmente no Rio Grande do Sul. O estado tem as maiores taxas da enfermidade no país: 90 casos a cada 100 mil habitantes – muitos envolvendo idosas.

“Há uma falsa ideia de que o câncer de mama é menor em mulheres da terceira idade. O diagnóstico precoce é ainda mais importante nessa faixa etária, já que o tratamento em estágios avançados é muito agressivo. Para um público tão fragilizado, pode ser fatal”, ressalta a Chefe do Serviço Médico de Mastologia do Hospital Moinhos de Vento, Maira Caleffi. Segundo a especialista, as dificuldades de acesso a exames no Sistema Único de Saúde e as limitações impostas por alguns planos de saúde dificultam o diagnóstico.

Uma tese desenvolvida pela mastologista ainda na década de 1980 comprovou que um terço das pacientes com câncer de mama tinham acima de 70 anos de idade. “Essa é uma missão de todos nós, familiares, amigos e profissionais da saúde. Antes que seja tarde demais para nossas mães, irmãs, filhas, avós. As chances de cura de um câncer de mama na terceira idade são muito maiores quando o diagnóstico é precoce” enfatiza Maira Caleffi.

Norma Sampedro, 81 anos, passou pela experiência de descobrir o câncer de mama em estado avançado e por conta de outros problemas de saúde teve de optar pela mastectomia radical e uso de medicamentos. “Meus problemas de saúde e minha idade prejudicaram meus cuidados na prevenção do câncer. Fiquei quase seis anos sem fazer mamografias e acabei descobrindo tardiamente o câncer”, conta.

Com 91 anos, Ottilia Bellini descobriu o câncer de mama com 65 anos por meio do autoexame. Na época, operou a mama esquerda e realizou algumas sessões de radioterapia. Em 2016, em um acompanhamento anual descobriu que o câncer havia retornado na mama direita. “Foi difícil, mas escolhi a cirurgia radical para não precisar iniciar tratamento com medicamentos”, afirma. Ottilia explica que nunca foi de frequentar médicos. “Eu espero que as mulheres não façam como eu fiz. É muito importante a prevenção, não importa a idade”, finaliza.

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