Bactérias resistentes reacendem importância da higienização das mãos (PARTE 1)

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Por Carol Gonçalves

Embora o Ministro da Saúde, Ricardo Barros, tenha dito recentemente que a contaminação pelas chamadas superbactérias “não é um assunto estatisticamente relevante no Brasil”, o problema ganhou a mídia em março com a morte de um bebê no HMI – Hospital Estadual Materno Infantil, em Goiânia (GO), após ser infectado pela bactéria multirresistente Serratia. Sua transmissão ocorre principalmente por causa da falta de higiene nas mãos.

A correta higienização das mãos é um assunto recorrente, mas ainda há negligência. Segundo os pesquisadores Tschudin-Sutter, Pargger e Widmer, infecções em UTIs, associadas aos cuidados de saúde, vitimizam até 1,4 milhões de pessoas todos os anos.

Reconhecendo a importância desse tema, o Hospital Mãe de Deus, de Porto Alegre (RS), desenvolveu, em 2008, um projeto para incentivar a higienização de mãos como ferramenta no combate ao risco de infecções hospitalares. Em função dos resultados obtidos entre seus profissionais, o conjunto de ações acaba de entrar para a galeria de cases do Proqualis – Centro Colaborador para Qualidade e Segurança do Paciente, um dos principais portais do país voltados para a disseminação de informações e tecnologias em qualidade e segurança do paciente.

Na prática

O projeto consiste em uma série de ações para incentivar o engajamento à higienização das mãos entre os profissionais que atuam no atendimento ao paciente. De acordo com a enfermeira do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Mãe de Deus, Juliana Prates, a prática sempre foi recomendada na instituição, porém, não havia um olhar direcionado para a mensuração da adesão. “Então, revisamos toda nossa estrutura para higiene de mãos, por exemplo, com a instalação de dispensadores de solução alcoólica de melhor qualidade e ampliação do número de pontos nas unidades de assistência. Em 2009, teve início a observação da mensuração na CTI adulto e, em 2010, na CTI Neonatal. Atualmente, contamos com 2,5 mil observações no hospital e uma adesão global de 70%”, revela.

As observações são realizadas de forma direta nas unidades assistenciais. A cada oportunidade que um profissional tem de higienizar as mãos, é contabilizado se ele, de fato, higienizou. A partir de 2012, essas observações começaram a ser mensuradas com a metodologia dos Cinco Momentos Para Higienização Das Mãos, preconizadas pela Organização Mundial da Saúde (veja ilustração nesta matéria). Com isso, a meta, no início estabelecida em 60%, foi ampliada para 70% em 2013 e para 75% em 2015.

(Continua…)

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