Bactérias resistentes reacendem importância da higienização das mãos (PARTE 2)

2313

Leia a primeira parte desta matéria em: portalhospitaisbrasil.com.br/bacterias-resistentes-reacendem-importancia-da-higienizacao-das-maos-parte-1

Por Carol Gonçalves

()

Diversas ações foram realizadas para reforçar a importância da higienização das mãos e mensurar as adesões entre os profissionais. Uma das dinâmicas é chamada de Caixa Preta e é realizada no treinamento de integração com os colaboradores novos, para sensibilizar a respeito da técnica adequada. Além disso, são exibidas mensagens de estímulo na TV interativa da instituição e há almoço especial no refeitório quando as metas são atingidas.

Juliana conta que, mensalmente, as taxas de higiene de mãos são divulgadas nas unidades por meio dos relatórios assistenciais e dos radares de higiene de mãos. “Esses radares são cartazes ilustrativos nos quais os colaboradores conseguem identificar a taxa de adesão na sua unidade e por categoria profissional”, explica.

Para 2017, existe um plano para algumas unidades de envolver a participação de pacientes e familiares no processo, incentivando-os a solicitar aos profissionais que higienizem as mãos. “Considerando o histórico da instituição na estruturação do processo e os ganhos decorrentes, acredito que estamos no caminho certo”, comenta Juliana.

Mesmo sendo uma prática extremamente importante, várias foram as dificuldades encontradas para aumentar a adesão dos profissionais. Uma delas foi fazer com que se atentassem aos cartazes informativos espalhados pelo hospital. Outro desafio foi envolver a equipe médica que, historicamente, em todo o mundo, tem as taxas mais baixas de adesão à higiene de mãos. Uma iniciativa proposta dentro do hospital para contornar essa dificuldade foi a abordagem do tema dentro do fórum das especialidades médicas.

Juliana conta que o Mãe de Deus também enfrentou a complexidade da mensuração desse indicador, que envolve um bom tempo de dedicação, sem falar no alto custo dos métodos automatizados e suas limitações.

“Aqui no hospital, higiene das mãos é um assunto de alta prioridade. Estou convencido que é o assunto mais importante do nosso dia a dia. Nós, gerentes, tentamos incentivar a ação de duas formas: dando o exemplo e levando a discussão desse tema para nossas reuniões regulares”, declara o Dr. Rafael Cremonese, gerente assistencial.

Veja o vídeo que conta a experiência:

Um pouco de história

A descoberta sobre a importância de lavar as mãos tem uma história interessante. Em 1846, quando Ignaz Philipp Semmelweiss era médico assistente da primeira clínica obstétrica do Allgemeine Krankenhaus, em Viena (Áustria), a mortalidade dos pacientes era de três a dez vezes mais alta do que a da clínica do mesmo hospital, onde os partos eram realizados por parteiras. Nessa unidade obstétrica, os médicos que faziam os partos também realizavam as autópsias nas parturientes que não resistiam. Logo, Semmelweiss percebeu que os profissionais deviam estar levando micróbios das autópsias às pacientes em trabalho de parto, contaminando-as. Infelizmente, somente após sua morte suas observações foram valorizadas e a higienização das mãos passou a ser reconhecida como importante ação na prevenção de infecções.

Fonte: AMIB – Associação de Medicina Intensiva Brasileira

Matéria originalmente publicada na Revista Hospitais Brasil edição 83, de janeiro/fevereiro de 2017. Para vê-la no original, acesse: portalhospitaisbrasil.com.br/edicao-84-revista-hospitais-brasil

Deixe seu comentário