Brasil tem surtos de superbactéria causadora de pneumonias hospitalares também fora de hospital

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Depois do surto do vírus H1N1, o brasileiro se depara com nova preocupação: a superbactéria, que está causando pequenos surtos, isolados, pelo país. O agente Estafilococo Aureus Multirresistente, até pouco tempo atrás somente observado em ambiente hospitalar, está colocando a classe médica em alerta.

A superbactéria é pode causar uma infecção respiratória que, diferentemente da pneumonia comum, não responde ao tratamento médico habitual sendo resistente a todos os antibióticos usados no tratamento da pneumonia comum. O paciente recebe o remédio e não consegue melhorar; ao contrário, na maioria das vezes ele piora. Já a pneumonia comum, quando tratada com antibióticos, em dois dias o paciente já está sem febre e a melhora no quadro clinico é notória.

“Além do comprometimento respiratório, a superbactéria leva a infecções graves de pele. A contaminação geralmente acontece quando há contato homem a homem em comunidades fechadas. Isso explica o aumento de casos no inverno, quando as pessoas estão um pouco mais suscetíveis a infecções respiratórias em geral. As famosas viroses, fazem com que as defesas do sistema respiratório diminuam, abrindo caminho para a bactéria”, explica o pneumologista dr. Frederico Leon Arrabal Fernandes, diretor de Ensino na Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia.

Além disso, revela o médico, a infecção por esse tipo de bactéria está mais propícia a ter complicações, como por exemplo a cavitação no pulmão. “Esta bactéria pode causar uma perfuração no órgão respiratório e também leva ao derrame pleural que é uma coleção de liquido entre o pulmão e a parede do tórax”, alerta.

Mesmo com os casos vistos recentemente em todo o país, não há necessidade de pânico.

“A doença existe há muito tempo e é conhecida dos médicos. Apenas está chamando a atenção dos especialistas por ter saído do ambiente hospitalares estar atingindo pessoas saudáveis”, afirma dr. Frederico. Existe tratamento eficaz, um tipo de antibiótico que essa bactéria não possui resistência.

“Em geral, essas pneumonias hospitalares somente eram vistas fora do hospital em pacientes com deficiência de imunidade. Então a grande preocupação é que, em pessoas saudáveis, fica ainda mais difícil a identificação dos casos.”

Estudos recentes, realizados nos Estados Unidos, detectaram em animais que a vitamina B é uma grande aliada na prevenção da doença.

“Existem indícios de que esta vitamina atue como protetora e moduladora no sistema respiratório, protegendo contra infecções bacterianas e também contra outras doenças, como a asma. Mas ainda não existe resposta definitiva na literatura médica.”

De qualquer forma, um alerta que deve ser feito tanto à população como à classe médica é que é preciso se informar. Quando apesar do tratamento adequado a pneumonia não melhora, ou quando o quadro abre com uma pneumonia grave ou com complicações, esse agente causador deve ser considerado..

Tanto a classe médica como a população devem estar atentos à existência da superbactéria.

“Ao especialista, ao perceber a gravidade no quadro de seu paciente, como pneumonia com complicação, ou se o quadro se agravar, o ideal é suspeitar e solicitar, sem hesitar, alguns exames, como de sangue e de escarro. Em alguns casos, é indicado até mesmo uma broncoscopia, para identificação da bactéria que causando a infecção pulmonar”, avalia.

Confirmado o diagnóstico, o paciente dará inicio ao tratamento até o controle da infecção. A internação é necessária, pois a medicação é administrada por via endovenosa.

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