“Corujão da Saúde”: a ideia é boa, mas também é preciso atacar a causa do problema (PARTE 3)

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Leia a primeira parte desta matéria em: www.revistahospitaisbrasil.com.br/noticias/corujao-da-saude-a-ideia-e-boa-mas-tambem-e-preciso-atacar-a-causa-do-problema-parte-1

Leia a segunda parte desta matéria em: www.revistahospitaisbrasil.com.br/noticias/corujao-da-saude-a-ideia-e-boa-mas-tambem-e-preciso-atacar-a-causa-do-problema-parte-2

Por Carol Gonçalves

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VANTAGENS

Pelo lado dos hospitais privados, quais as vantagens do “Corujão da Saúde”? O professor do Centro Universitário São Camilo diz que essas instituições deveriam ver o programa como uma oportunidade de melhorar os custos e amortizar investimentos. Ele diz que às vezes, o investimento em um aparelho de TC acaba não retornando em cinco anos se o aparelho não realizar o volume mínimo de exames. “Gosto de fazer uma analogia com a aviação: o avião parado ou em manutenção é muito caro. Por isso, a mesma aeronave faz várias viagens sem parar e a tripulação é trocada”.

Medeiros acredita que, no hospital, estes aparelhos devem receber a mesma atenção. Ou seja, serem utilizados pelos pacientes do SUS para pagar os custos da operação. Outra oportunidade é usar a estrutura para treinamento dos residentes. “O que médicos residentes precisam é paciente para exercitar o aprendizado, pois quanto mais ele atende, melhor fica no processo e na leitura das imagens. Enfim, eu acredito que todos ganham dessa forma”, opina.

NA PRÁTICA

Entre os hospitais que fazem parte do programa da prefeitura de São Paulo está o Alemão Oswaldo Cruz, que disponibilizou 7.530 exames, sendo 330 ressonâncias magnéticas, 4.800 tomografias e 2.400 ultrassonografias mamárias. Até as 15h do dia 20 de janeiro, foram realizados 711 exames, distribuídos em 597 tomografias, 58 ressonâncias e 56 ultrassonografias.

Os exames de ressonância magnética e de tomografia são oferecidos no Complexo Hospitalar e podem ser realizados 24 horas por dia, de segunda à sexta-feira, de acordo com a disponibilidade de horários. Já as ultrassonografias mamárias são feitas na Unidade de Sustentabilidade Mooca, das 16h às 22h, ambos respeitando o agendamento feito pela Rede Siga, da prefeitura.

Paulo Vasconcellos Bastian, CEO do hospital, conta que os atendimentos ao programa estão diluídos ao longo das 24 horas de atendimento do Complexo Hospitalar, por isso não foi necessário contratar pessoal, bastou fazer o remanejamento de algumas pessoas das equipes assistenciais.

“Desde 2008, somos um dos hospitais de excelência vinculados ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) do Ministério da Saúde. No programa está previsto atendimento assistencial, através do qual estamos participando do ‘Corujão da Saúde’ por meio de um convênio com a Prefeitura Municipal de São Paulo”, explica.

Outro hospital participante é o Sepaco, que tem a previsão de realizar 1.600 ressonâncias magnéticas até o mês de maio. Do dia 16 a 18 de janeiro, foram realizados 60 exames. O atendimento acontece aos domingos, das 7h às 19h, e de segunda a sexta-feira das 19h às 7h.

Para atender à demanda, Rafael Antonio Parri, superintendente geral, conta que o quadro de funcionários foi readequado e o hospital abriu agenda no período noturno. “Contratamos um técnico de radiologia médica e um auxiliar de enfermagem”, expõe. De acordo com ele, como instituição filantrópica, o Sepaco tem responsabilidade social e fica satisfeito em poder atender ao pedido da Secretária de Saúde do Estado de São Paulo.

O Ambulatório de Filantropia – Unidade Ultrassonografia do Hospital Sírio-Libanês (HSL) também faz parte do novo programa da prefeitura. A unidade já atende pacientes do SUS encaminhados pela rede municipal das regiões Centro e Oeste da capital. Além disso, funciona como unidade externa, para exames de ultrassonografia e ecocardiograma do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus (HMIMJ), administrado pelo Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês.

Com a participação no “Corujão da Saúde”, o horário de atendimento na unidade foi aplicado: de segunda a quarta-feira funciona das 18h às 21h30 e, aos sábados, das 7h às 13h.

A previsão é de que durante esses horários extras sejam realizados 120 exames adicionais por dia, de segunda a quarta-feira, e outros 200 aos sábados. Com isso, a oferta mensal da unidade passará dos atuais 3.000 procedimentos para 5.240.

Os exames de ultrassonografia realizados na unidade incluem, entre outros, os morfológicos e obstétricos, de articulações, Doppler em geral e biopsias de mama.

Por sua vez, o Hospital Israelita Albert Einstein, que já atua em parcerias com a prefeitura e com o SUS, com dois hospitais municipais sob sua gerência – do M’boi Mirim e da Vila Santa Catarina – e administrando outras 133 estruturas de atenção básica (incluindo também CAPS e a UPA Campo Limpo), também está à disposição para efetuar exames de alta complexidade. Por mês, serão realizados 30 exames de ressonância magnética, de segunda a sexta, das 8h às 14h, e 90 exames de tomografia computadorizada, de segunda a sexta, das 8h às 18h.

Matéria originalmente publicada na Revista Hospitais Brasil edição 83, de janeiro/fevereiro de 2017. Para vê-la no original, acesse: www.revistahospitaisbrasil.com.br/revista-digital/edicao-83-revista-hospitais-brasil

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