Fusões & Aquisições prometem movimentar setor da saúde em 2017 e 2018 (PARTE 2)

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Leia a primeira parte desta matéria em: portalhospitaisbrasil.com.br/fusoes-aquisicoes-prometem-movimentar-setor-da-saude-em-2017-e-2018-parte-1

Por Carol Gonçalves

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Embora o segmento suplementar tenha se intensificado nos últimos anos, ainda existe um grande potencial de crescimento deste mercado, pois somente cerca de 26% da população brasileira possui plano de saúde, enquanto em outros países, como os Estados Unidos, este percentual é de 85%. “Isso adicionado a uma mudança no perfil demográfico da população brasileira – o total de pessoas com idade maior que 60 anos deve praticamente dobrar em 15 anos – torna o setor de saúde interessante para operadores de planos de saúde, hospitais, clínicas, fornecedores de equipamentos médico-hospitalares, tecnologia e toda a cadeia de valor”, acrescentam.

No aspecto regulatório, a abertura do mercado para aportes estrangeiros em hospitais (incluindo participações majoritárias) permitiu maiores investimentos no setor. Espera-se que esse fato proporcione maior competição, exposição a novas tecnologias, ganhos de escala e governança corporativa.

Crise econômica

Segundo Silva, da Cypress, a atual crise, ao aumentar a percepção de risco, dificultar o acesso a crédito e reduzir as perspectivas de crescimento, afetou negativamente o mercado como um todo. “Entretanto, durante a crise, enquanto diversos setores retraíram, as movimentações na saúde continuaram acontecendo porque este é um segmento menos sensível à crise em relação a outros, além de estar passando por um momento único de desregulamentação, que é visto como uma janela de oportunidade para os investidores”, expõe.

Hajjar e Sauer, da Progresso Capital Partners, também afirmam que a saúde é um dos setores que crescem mesmo com o Brasil em crise. “O segmento em médio e longo prazos é atrativo e, durante a crise, em geral, a expectativa de preço do vendedor tende a se aproximar mais do que o comprador estaria disposto a pagar. Basta notar que em 2015 e 2016, anos de forte recessão no Brasil, houve várias transações envolvendo grandes players, entre eles Amil, Intermédica e Rede D’Or”.

A Amil, por exemplo, que foi adquirida pela United Health em 2012, continuou o processo de consolidação através de aquisições, como a do Hospital Samaritano e do Hospital Santa Joana, em 2015, e do Santa Helena e do Grupo Ana Costa, em 2016. “A Bain Capital dos Estados Unidos adquiriu a Intermédica em 2014 e também vem utilizando esta plataforma para realizar outras aquisições, como da Santamália Saúde, em 2015 e, recentemente, do Hospital São Bernardo”, acrescentam os entrevistados da Progresso Capital.

Mercado atrativo

O mercado de saúde no Brasil é visto como um dos mais atraentes por investidores estrangeiros, revela Silva, da Cypress. Além de ser grande e com potencial de crescimento, ainda é pouco explorado por investidores e existem muitas oportunidades de melhorias na operação dos negócios que podem ser implementadas.

Segundo ele, há dois tipos de investidores: os estratégicos e os financeiros. Os primeiros são atuantes na mesma atividade ou em atividades correlatas que buscam movimentos de aquisição por motivações estratégicas para seu negócio, como crescimento da base de clientes, compra de novas linhas de negócios ou tecnologias.

Os financeiros, por outro lado, buscam aportar capital na empresa para fazê-la crescer e se valorizar e, em algum momento no futuro, capturar este benefício através da venda de sua participação. Os mais comuns são os fundos de private equity, de capital para crescimento. Eles aportam dinheiro em empresas em troca de participação societária. Este dinheiro é utilizado tipicamente para aprimorar a operação da empresa, por exemplo, contratando gestores profissionais, implantando sistemas de gestão modernos, investindo em novos equipamentos ou para buscar crescimento inorgânico, através de aquisições. A venda da participação do fundo normalmente é feita para um investidor estratégico ou através da abertura do capital da empresa.

Para Hajjar e Sauer, da Progresso Capital Partners, os investidores estrangeiros têm investido no Brasil em busca de uma plataforma para explorar o potencial do mercado nacional. “Procuram hospitais em geral com mais de 100 leitos bem administrados e bem cuidados que possam ser agregados à rede de hospitais que já possuem, aumentando sua oferta de atendimento. Os investidores também enxergam que há uma grande oportunidade para ampliar a oferta de tecnologia, de serviços e de gestão no setor”, ressaltam.

Os profissionais dizem que é possível dividir as empresas que têm investido no setor de saúde em dois grupos: um formado por companhias líderes do setor de saúde, como a United Health dos Estados Unidos, que faturou em 2016 US$ 185 bilhões e que investiu na Amil; e outro formado por organizações com experiência no mercado de saúde, mas com viés financeiro, fundos de capital de risco, como por exemplo, BTG Pactual e Bain Capital dos Estados Unidos, que investiram na Rede D’Or e na Intermédica, respectivamente.

(Continua…)

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