Hospital CEMA apresenta nova técnica de cirurgia que desobstrui as vias lacrimais sem deixar cicatriz

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A principal função da lágrima é lubrificar e proteger os olhos, por isso sua produção é contínua e distribuída  na superfície ocular, sendo drenada por um sistema de canalículos chamados Vias Lacrimais. Gatilhos emocionais, como forte impacto diante de uma situação muito feliz ou muito triste, fazem as lágrimas saltarem dos olhos. Mas você pode “chorar” sem estar sob nenhuma emoção.  “Se o sistema de drenagem for comprometido, ocorre o acúmulo de lágrima, que denominamos epífora. Isso é diferente do lacrimejamento, que é um aumento da produção da lágrima. Mas tanto em uma situação como na outra, a pessoa vai se queixar de lacrimejamento excessivo, como se estivesse chorando o tempo todo”, explica a oftalmologista do Hospital CEMA, Rita  de Cássia Lima Obeid, especialista em plástica ocular e vias lacrimais, em especial  vias lacrimais endonasal.

Os fatores que podem obstruir as vias lacrimais ainda não são totalmente conhecidos, segundo a médica, e por isso são classificados como idiopáticos, ou seja, surgem espontaneamente ou têm origem incerta. Mas o fenômeno é mais comum  em pacientes com história familiar, no pós-operatório de cirurgias otorrinolaringológicas, pós-traumas faciais e em pacientes com alterações de tireoide e, portanto, submetidos à iodoterapia. E o problema não faz distinção entre suas vítimas: adultos, jovens, crianças e até bebês podem sofrer com a epífora. “Nos casos de crianças, o pediatra muitas vezes demora em fazer o encaminhamento para o especialista, retardando o início do tratamento. É importante que os pais, em caso de lacrimejamento excessivo, busquem a ajuda de um oftalmologista especialista em vias lacrimais, responsável pelo diagnóstico. ”Geralmente, a epífora apresenta os primeiros sinais a partir da décima semana de vida do bebê”, alerta a médica.

Além de provocar o lacrimejamento contínuo, a doença causa aumento da secreção nos olhos, conjuntivites de repetição que nunca melhoram, abcessos no canto medial da face e, em alguns casos mais graves, celulite facial (infecção bacteriana que causa inchaço e vermelhidão ao redor dos olhos e nas bochechas). Além do enorme desconforto e impacto social, o lacrimejamento contínuo pode provocar embaçamento da visão e o acúmulo de bactérias, pela dificuldade de drenagem, aumentando o risco de complicações, especialmente em pacientes que se preparam para algum tipo de cirurgia ocular, segundo a Dra. Rita Lima Obeid.

Até recentemente, o tratamento em adultos era feito por meio de uma cirurgia que deixava pequenas cicatrizes no rosto dos pacientes. Agora, a técnica já realizada pela médica há 10 anos, mas ainda assim moderna, permite a reconstituição da via lacrimal por via endonasal. Essa técnica constrói uma nova via de acesso para a drenagem da lágrima, sem cortes externos, eliminando as cicatrizes e proporcionando melhor recuperação. Além disso, se a obstrução for bilateral, esta técnica pode ser aplicada nos dois olhos no mesmo procedimento cirúrgico. O importante neste procedimento é que ele seja feito por um oftalmologista especializado em vias lacrimais com conhecimento em cirugia endonasal, garantindo assim melhor resultado estético e funcional.

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