J&J e BP mostram estratégias de combate à infecção hospitalar (PARTE 1)

1815
Área de esterilização da BP

Centenas de milhões de pacientes são afetados por infecção hospitalar (IH) anualmente, gerando, além de mortes, perdas financeiras para os sistemas de saúde. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 234 milhões de pacientes são operados por ano em todo o mundo e, destes, 0,5% morre em decorrência de eventos adversos – dentre os quais estão as infecções hospitalares.

Em países de baixa e média rendas, um a cada dez pacientes submetidos a um procedimento cirúrgico desenvolve ISC – infecção de sítio cirúrgico, sendo que na Europa e nos Estados Unidos este é o segundo tipo mais frequente.

No Brasil, aproximadamente 14% dos pacientes internados contraem algum tipo de infecção, os principais tipos são: 24% de sítio cirúrgico, 18% do trato urinário, 13% do trato respiratório e 11% da corrente sanguínea.

Um estudo realizado no Brasil revelou que a taxa de infecção hospitalar em cirurgias cardíacas, por exemplo, é de 17%. Dentre as causas, a ISC representa um aumento de três vezes no tempo de internação e uma taxa de mortalidade cerca de quatro vezes maior em relação aos pacientes que não desenvolveram IH.

Outro estudo brasileiro que analisou a infeção hospitalar em pacientes idosos observou uma taxa de 23,6%, sendo que aqueles que evoluíram com a IH apresentaram uma média de permanência hospitalar cerca de 2,3 vezes maior em relação aos que não tiveram o problema.

Ainda de acordo com a OMS, a ISC leva a um aumento médio no tempo de permanência hospitalar de 4 a 7 dias. Pacientes com esse tipo de infecção são duas vezes mais propensos a morrer, têm duas vezes mais chance de serem admitidos na UTI e cinco vezes mais de readmissão após a alta.

Em relação às perdas financeiras, uma pesquisa recentemente publicada no Brasil, que avaliou pacientes submetidos à artroplastia de joelho, mostrou que o custo adicional médio de uma infecção hospitalar foi de US$ 2,701.29 por paciente internado.

“Além dos custos indiretos envolvidos, como a impossibilidade de retorno às atividades laborais, há também os intangíveis, relacionados ao sofrimento físico e psíquico pelos quais o paciente passa em decorrência da infecção hospitalar. Estes custos, geralmente, não são aferidos nos cálculos do valor total gasto com as complicações causadas pela IH”, explica Daiane Oliveira, médica e gerente da área de Economia da Saúde e Acesso ao Mercado da Johnson & Johnson Medical Devices.

O grande dilema é: há fatores de riscos que não são modificáveis, como idade, sexo, sobrepeso, comorbidades, tipo de procedimento e estilo de vida, como o tabagismo. Enquanto há os que são alteráveis, mas necessitam de mudança cultural e otimização de processos. São eles: assepsia efetiva da pele, profilaxia antibiótica, oxigenação adequada, prevenção de hipotermia, além de correta e efetiva esterilização de materiais.

Por isso, cada vez mais, o setor tem se preparado para combater o problema, cercando os pacientes de cuidados e boas práticas, que se completam com a adoção de equipamentos de alta tecnologia para garantir a eficácia da esterilização dos ambientes e materiais hospitalares.

Prevenção

De acordo com a Portaria nº 2.616, de 12 de maio 1998, estabelecida pelo Ministério da Saúde, todo hospital é obrigado a constituir uma CCIH – Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, cuja função é assessorar a direção da instituição a implantar e executar as ações do PCIH – Programa de Controle de Infecções Hospitalares. Por isso, a CCIH deverá ser composta por uma equipe multidisciplinar de profissionais com nível superior que exercerão funções de consultores e executores.

Na BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo, o SCIH – Serviço de Controle de Infecção Hospitalar é o órgão consultor e executor, já que é responsável pelo planejamento e acompanhamento das ações que ajudam a manter a vigilância epidemiológica das infecções nas unidades hospitalares. Quem explica é Maria Lúcia Biancalana, gerente médica do SCIH da BP e médica do corpo clínico do BP Mirante, unidade hospitalar premium da instituição.

Ela ressalta a necessidade e a importância de todos – instituições hospitalares e profissionais da saúde, autoridades governamentais e população em geral – estarem comprometidos com a prevenção e o combate à IH. “A BP é referência no atendimento de casos de alta complexidade, especialmente nas áreas de Oncologia e Cardiologia. Por sermos um polo de saúde, temos uma casuística ímpar no suporte a casos críticos, nos quais os clientes estão muito mais vulneráveis às infecções. Entretanto, temos condições de implementar todas as medidas necessárias no combate e prevenção desses problemas”, complementa a médica.

O SCIH da BP realiza as seguintes atividades:

  • Monitora indicadores de infecção e de higienização das mãos, que são apresentados às áreas e à administração
  • Realiza vigilância ativa e visitas multidisciplinares nas UTI
  • Verifica se as medidas recomendadas estão sendo aplicadas: clientes com cateter venoso central, preparo de medicação, procedimentos cirúrgicos, etc.
  • Controla o uso de antimicrobianos, cujo uso está associado à emergência de resistência
  • Monitora o uso de antibióticos profiláticos em cirurgias
  • Atua como interface entre a instituição e os órgãos oficiais de vigilância epidemiológica
  • Padroniza rotinas que objetivam reduzir o risco de infecção, por exemplo, medidas para prevenção de infecção de sítio cirúrgico, de pneumonia associada à ventilação mecânica, de infecção da corrente sanguínea associada a cateter, etc
  • Capacita o corpo clínico e a equipe assistencial em boas práticas de saúde
  • Avalia o impacto de reformas e obras estruturais da instituição e propõe medidas para minimizar a exposição de clientes e profissionais a poeira e sujidades
  • Valida laudos relacionados ao controle microbiológico ambiental e de equipamentos e materiais (potabilidade de água, qualidade do ar condicionado, SND, CME, etc.)
  • Apoia a identificação e correção de problemas

(Continua…)

Deixe seu comentário