Karin Schmidt Rodrigues Massaro: com paixão e sensibilidade, médica retrata a poesia da vida

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Por Carol Gonçalves

Médica, empresária e poetisa. É com essas atividades que a Dra. Karin Schmidt Rodrigues Massaro ocupa o seu tempo. Sócia-diretora da Fanem, multinacional brasileira que fabrica produtos inovadores nas áreas de neonatologia e de laboratórios, é filha da saudosa Marlene Schmidt, diretora executiva da empresa, falecida em 2012, e de Djalma Rodrigues, atual diretor executivo. Dra. Karin também é presidente do Conselho da Fanem e coordenadora da unidade industrial de Bangalore, na Índia, tendo ocupado por quatro anos a diretoria científica.

Médica, mestre e doutora em Medicina em hematologia e moléstias infecciosas pela USP – Universidade de São Paulo, é coordenadora do serviço de hematologia do Hospital Santa Catarina, na capital da cidade.

Enveredando por outros caminhos fora da saúde, Dra. Karin é poetisa e escreve desde os 6 anos. Publicou aos 15 anos seu primeiro livro, “Plano e Convexo”, uma coletânea de poemas e crônicas. Em 2000, foi premiada pela Câmera Brasileira de Jovens Talentos por seu segundo trabalho publicado: “Amor e Hepatite Viral”. Seu terceiro livro, “Sangue Quente”, foi prefaciado pelo ator Paulo Betti. Em 2014, lançou sua quarta obra: “As árvores de São Paulo”. Na ocasião do lançamento, Dra. Karin disse que ela persiste em escrever poesias assim como as árvores da cidade persistem em florescer na adversidade do concreto implacável.

Como é sua rotina diária?

Acordo todo dia às 5 horas, pois moro longe do Hospital Santa Catarina. Vejo meus pacientes internados e, entre 9h e 9h30, já estou na Fanem para minhas atividades como diretora. Só não vou à empresa às terças, quando me dedico ao consultório. Lazer? Bem, tem gente que vai ao clube nos fins de semana, mas eu vou ao hospital. Quando tenho tempo, gosto de viajar, curtir minha casa, família e meus gatos.

Como é o seu trabalho como coordenadora da unidade industrial de Bangalore, na Índia?

Sou gestora e atuo juntamente com nosso CEO de lá. Coordeno as atividades feitas aqui do Brasil, que são replicadas para lá e vice-versa. Geralmente, viajo duas vezes por ano para a cidade indiana.

Quais suas atribuições como coordenadora do serviço de hematologia do Hospital Santa Catarina?

Faço a cobertura do atendimento de emergência de todos os casos de hematologia do hospital, incluindo pronto atendimento, internação geral e UTIs. Tenho uma excelente equipe, formada pela Dra. Ana Paula Curi e pela Dra. Fernanda Maria Santos. Fazemos a cobertura 24 horas todos os dias há muitos anos. Eu mesma estou lá há 23 anos.

Como sua vida profissional se relaciona com a profissional?

Procuro separar totalmente o pessoal do profissional, mas nem sempre é possível. Trabalho na Fanem com meu pai, Djalma, e com meu marido, Rubens. Meu filho mais velho, de 24 anos, que é advogado, também trabalha lá, e estou preparando outro, de 18 anos, que estuda administração. Procuro não os proteger. Meu pai sempre me vê como filha, mas ele já me respeita mais como profissional. Estou casada com o Rubens há 25 anos e creio que nos damos bem no serviço. Estamos juntamente envolvidos na questão da filial da Índia.

Quais os valores e ensinamentos deixados por sua mãe que a ajudam na sua vida profissional e pessoal?

Simplesmente minha mãe me fez segura, determinada e foi a pessoa que mais me influenciou na vida.

Como você descreve seu relacionamento com as pessoas que lidera?

Sou uma líder democrática, e o fato de ser médica me ajuda muito a saber ouvir as pessoas.

Conte uma passagem marcante de sua trajetória profissional.

Na Fanem, foi a inauguração da fábrica na Índia com uma cerimônia pooja, ritual religioso realizado pelos hindus como forma de oferecer símbolos de gratidão às divindades, pessoas ilustres ou convidados especiais. Já como médica é impossível dizer, lido com vidas todos os dias, enfrentando leucemias, linfomas e doenças graves oncológicas.

Como uma mulher de liderança, qual mensagem gostaria de deixar para outras mulheres que buscam cada vez mais aprimoramento pessoal e profissional?

Estudem, estudem, estudem. Jamais deixem alguma piadinha machista prevalecer. Denunciem sem medo qualquer tipo de preconceito. O melhor presente de Deus é a maternidade, ela deixa a mulher mais forte para trabalhar porque dá um motivo para lutar.

Como você vê o papel da mulher da sociedade?

Ainda rebaixado em muitos setores, mas acredito que as mulheres têm uma certa parcela de culpa nisso.

Como descobriu seu interesse pela poesia?

Aos seis anos escrevi uma poesia sobre um menino engraxate. Minha mãe gostou e desde então me entusiasmou. Ela sempre acreditou em mim.

Sua veia poética a ajuda a lidar com as dificuldades do dia a dia?

Não! Atrapalha! Pois o problema vira uma poesia e, na verdade, não é fácil assim. Não é romântico. Mas se não escrever, eu morro (risos)!

Você vê alguma relação entre poesia e medicina?

Sim. Sou hematologista e acredito que o sangue transporta os sentimentos pelo corpo. Meu corpo exterioriza o que eu penso e escrevo. Sou uma simbiose, um ser poético. Vejo arte e beleza em todos os órgãos do corpo humano. Se estou alegre, isso vem de dentro da célula! Se estou triste, deve vir de dentro de alguma mitocôndria.

O que gosta de fazer nos seus momentos de lazer?

Ler, escrever, ver televisão e “gatear”, que significa observar os meus gatos.

Quais suas paixões?

Minha família, meus gatos e a natureza.

Quais seus planos para o futuro?

Estes são secretos…

Matéria originalmente publicada na Revista Hospitais Brasil edição 85, de maio/junho de 2017. Para vê-la no original, acesse: portalhospitaisbrasil.com.br/edicao-85-revista-hospitais-brasil

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