O caminho para a eficiência no abastecimento dos hospitais (PARTE 1)

1158

Por Carol Gonçalves

Parte essencial nas empresas dos mais variados segmentos, a logística é o departamento responsável pela gestão dos materiais, ou seja, administra recursos, planeja a produção, o armazenamento, o transporte e a distribuição desses itens.

E quando se fala em saúde, a organização desse setor é fundamental. Além da logística interna dos hospitais, também é importante que os gestores conheçam como seus fornecedores armazenam os produtos, quer dizer, como a logística está organizada para que os suprimentos sejam armazenados com segurança e cheguem no prazo correto nos hospitais, atendendo aos pacientes sem falhas.

“De nada adiantam todos os processos e controles de qualidade de uma fábrica se o restante da cadeia não toma os mesmos cuidados, comprometendo a qualidade e a integridade dos produtos, com riscos de contaminações, por exemplo”, relata Vitor Tamarozzi, sócio-diretor da Stralog, empresa especializada em soluções logísticas.

Segundo ele, uma vez que a clínica ou o hospital conhece o seu fornecedor e confia nele, poderá focar em atender e cuidar bem dos pacientes, sabendo que terá total apoio no momento certo.

A logística desse setor pode ser dividida em duas grandes áreas, como explica Tamarozzi:

Armazenagem: compreende receber, conferir adequadamente (física e qualitativamente), etiquetar ou rotular (por exemplo itens importados não “tropicalizados”) e estocar respeitando o endereçamento dos produtos de forma que garanta a rastreabilidade de cada lote e sua respectiva data de fabricação e validade. Também envolve os processos de separação, montagem de kits e expedição, de acordo com as características de cada artigo, suas fragilidades ou necessidades especiais de acondicionamento. Nesse processo também está incluído o uso de um bom sistema de gerenciamento de armazenagem, que auxiliará no controle das informações pertinentes a cada processo citado.

Distribuição: compreende o transporte dos produtos até hospitais, clínicas, distribuidores, varejistas ou o consumidor final.

TERCEIRIZAÇÃO

As áreas citadas anteriormente podem ser administradas pelos fabricantes/distribuidores de produtos em suas próprias instalações ou eles podem contratar empresas especializadas, os chamados operadores logísticos, que possuem estrutura física para gerenciar todo o processo de armazenagem e distribuir esses suprimentos nos hospitais e clínicas.

Segundo Tamarozzi, uma das vantagens da terceirização é a previsibilidade, tanto com relação aos prazos de atendimento – nos processos de separação, embalagem e entrega – quanto a respeito da acuracidade de estoque. “Trabalhando com empresas especializadas em operações logísticas, é de se esperar melhor controle nos processos e maior previsibilidade nas operações”, expõe.

Custos variáveis também podem ser considerados uma grande vantagem da terceirização. Na maioria dos casos, os custos logísticos de armazenagem (que inclui os processos de movimentação, estocagem e embalagem de materiais) se tornam variáveis, ou seja, paga-se pelo que utiliza, evitando custos fixos ou ociosidade. Os custos que maior representam este ponto são os de infraestrutura de armazenagem, como aluguel, seguro e manutenção; e os de mão de obra, especialmente passivo trabalhista e encargos. “Esta vantagem se aplica principalmente para empresas que estão em rápida expansão ou que possuem uma demanda muito sazonal”, acrescenta o sócio-diretor da Stralog.

Outro fator positivo da terceirização é a flexibilidade de crescimento. “O operador logístico pode proporcionar a ampliação da operação logística do seu cliente de forma rápida e segura, evitando que ele tenha de investir em espaço, adequação física, compra de equipamentos, contratações e treinamento”, explica.

Para a maioria das indústrias e distribuidores, logística é uma área de apoio, assim como RH, TI e Manutenção. “Apesar de estratégica e de fundamental importância para o negócio, ela sempre será uma área de apoio. Portanto, terceirizar a operação logística com um especialista possibilita ao contratante mais tempo dedicado ao seu core business, ou seja, equipe voltada 100% ao que realmente trará resultados, seja em vendas, compras, desenvolvimento de fornecedores e produtos ou marketing”, relata Tamarozzi.

Além disso, o operador logístico tem conhecimento para assessorar as empresas no controle de estoque, orientando sobre pontos de reposição, políticas de inventário e o momento certo de colocar o pedido em função do lead-time de entrega de seus fornecedores. Consequentemente, essa organização resultará em redução do nível de estoque, eventuais perdas por validade ou falta de acuracidade, evitando, ainda, a perda de pedidos por ruptura de estoques.

DESAFIOS

A cadeia logística de produtos para saúde é ampla e repleta de variáveis e exigências, pois envolve produtos que serão utilizados ou consumidos em casos muito especiais. Tamarozzi explica que muitas dessas variáveis fogem do controle de qualquer empresa, como fatores climáticos, condição de estradas e rodovias, além da dependência de muitos órgãos de fiscalização ao mesmo tempo (especialmente em importações).

“Portanto, o que faz a diferença para se ter um bom desempenho logístico é a velocidade de resposta operacional quando alguma dessas variáveis começar a impactar na gestão e metas das empresas. Isso quer dizer que o grande desafio é a rápida tomada de decisão, com informações e ações ágeis, eficientes e seguras para avançar com os negócios mesmo com algum desses imprevistos”, expõe.

Quando se considera a terceirização das operações logísticas, para que o operador consiga tomar decisões rapidamente junto com seu cliente nos casos citados acima, é fundamental que o operador conheça toda a cadeia logística, desde o fabricante até a utilização ou consumo dos produtos que estarão sob sua responsabilidade, sejam equipamentos, descartáveis ou próteses. Assim como entender sobre as políticas de compra, venda, utilização ou consumo de cada produto, e ter um bom relacionamento com todos os players desta cadeia, como hospitais, clínicas, órgãos reguladores e convênios médicos.

(Continua…)

Deixe seu comentário