O desafio de otimizar a gestão de medicamentos e insumos médicos (PARTE 3)

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Leia a primeira parte desta matéria em: www.revistahospitaisbrasil.com.br/noticias/o-desafio-de-otimizar-a-gestao-de-medicamentos-e-insumos-medicos-parte-1

Leia a segunda parte desta matéria em: www.revistahospitaisbrasil.com.br/noticias/o-desafio-de-otimizar-a-gestao-de-medicamentos-e-insumos-medicos-parte-2

Por Carol Gonçalves

Logistica - ImolaOutra empresa especializada no setor é a RV Ímola, cuja atuação vem contribuindo para a redução de custos em diversas instituições públicas e privadas. A Unihosp Saúde, plano de saúde do Grande ABC (SP), é uma de suas clientes e, conforme conta Edgar Cuccolo, diretor executivo, antes da terceirização, a gestão era realizada de forma manual, através da ficha kardex, e o controle das compras era feito a partir da análise de planilhas do Excel. Além disso, não havia controle de medicamentos vencidos, de alto custo e psicotrópicos. “Após a mudança, percebemos que nosso centro médico passou a trabalhar com um estoque muito mais enxuto, houve redução no desperdício de insumos e aumento da eficiência das equipes assistenciais, que deixaram de se preocupar com a falta de material”, revela.

O processo logístico na Unihosp passa pelos seguintes passos: informação automática dos itens que atingiram o ponto de pedido de compras (Sistema Supply Chain); apoio à área de compras; recebimento dos produtos com dupla conferência através dos coletores de dados; confecção das etiquetas das caixas; armazenagem por meio de código de barras e endereçamento; unitarização; transferência de insumos através do ressuprimento automático nos setores; dispensação aos pacientes (farmácias de internação); dispensação através de kits individuais (CC); e dispensação dupla caixa (abastecimento dos setores de consumo).

A RV Ímola conta com sistema de gestão WMS – que oferece interface com outros –, rastreabilidade do ponto de origem ao ponto de entrega, reposição automática dos setores e relatórios customizados. Possui também equipamentos de automação, como leitores de código de barras, workstation, impressoras de código de barras, radiofrequência, coletores de dados, servidores, infraestrutura de rede e links.

“As principais vantagens da logística são a liberação dos recursos hospitalares para investimento em outras áreas do hospital e a melhoria da negociação junto aos convênios para aumentar o atendimento e a lucratividade”, destaca Cuccolo.

NÚMEROS DO SETOR:

– Segundo pesquisa da consultoria McKinsey de 2013, apenas no Brasil, os insumos médicos são responsáveis pelo segundo maior custo nas instituições de saúde, perdendo apenas para a folha de pagamento;

– O índice de obsolescência chega a 20%, levando a perdas de até 15% da margem financeira de um hospital;

– Os erros de medicação ocorrem em até 33% das internações. Ou seja, de cada dez remédios que pacientes recebem em hospitais e clínicas, três sofrem alguma intercorrência, seja por erro no medicamento administrado, no horário de administração, na dose ou na via;

– Segundo a Anvisa, cerca de 1.000 medicamentos passam por recall todos os anos no Brasil, o que reforça a necessidade de controle de lotes, data de validade e dos pacientes que fazem uso de um determinado produto, e a consequente identificação de pessoas que possam ser expostas a insumos inadequados;

– Insumos de saúde das OPMEs (órteses, próteses e materiais especiais) estão entre as principais fontes de receita (48,6%) e de custos (30%) dos hospitais privados, de acordo com o Observatório Anahp de 2014, da Associação Nacional de Hospitais Privados;

– Um Estudo da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz) com hospitais públicos do Rio de Janeiro mostrou que apenas 10% das farmácias hospitalares fazem seu planejamento com objetivos e metas e somente 15% utilizam a curva ABC para programação dentro daqueles fornecedores que possuem uma relação de produtos para compra;

– Estudos realizados com a utilização do sistema UnilogWF, da UniHealth, mostraram queda de erros nos horários de administração de medicamentos de 32% para 2% na área de hospitalização, e, em não prescritos, de 4% para 0,75%. Já na UTI, a redução foi de 24% para 0,6%, e na administração dos não prescritos de 3,5% para 0,26%.

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