O novo idoso

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As datas comemorativas, além das merecidas homenagens que suscitam, são fontes de reflexões e balanços. Festejamos em 1º de outubro o Dia Internacional das Pessoas Idosas, criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) durante uma assembleia mundial sobre envelhecimento, realizada em Viena, na Áustria, em 1982. O objetivo foi qualificar a vida dos mais velhos, por meio de ações de integração social e saúde.
A população mundial está envelhecendo, inclusive aqui no Brasil. No Censo Demográfico 2010, o IBGE revelou que não para de crescer a participação proporcional de idosos em nossa sociedade. Eles eram 4,8% do total em 1991, passaram para 5,9% no ano 2000, e chegaram a 7,4% dos 190 milhões de habitantes em 2010. 
A Medicina, e toda a estrutura tecnológica que a cerca, tem muito a ver com isso. Contamos com exames cada vez mais detalhados e precisos, capazes de identificar ameaças ao organismo que antes permaneciam ocultas; diagnósticos fundamentados num amplo e diversificado cruzamento de dados e informações, que permitem a composição de quadros mais definidos sobre cada situação; tratamentos especializados e adequados às necessidades específicas do paciente, de modo a obter os melhores resultados com menos danos e efeitos colaterais.
Um progresso extraordinário, por exemplo, foi alcançado com as tomografias de última geração, que avaliam as coronárias sem invadir o organismo.
Todos esses avanços, porém, dependem da participação ativa das pessoas. Isso inclui firme disposição para seguir as regras básicas para a prevenção de doenças (longe do cigarro, perto da comida saudável e dos exercícios), disciplina em frequentar o consultório médico periodicamente para controle e check-up, e esforço consciente em seguir as orientações recebidas, por mais duras que sejam.
Cuidar de quem chega à Terceira Idade não é tão problemático como pode parecer à primeira vista. Ao contrário. A vida ensina muito, e a experiência acumulada ajuda os mais velhos a compreender melhor o que acontece com eles, com seu corpo. Afinal, foram muitos e muitos anos, trocas sucessivas de informações com parentes e amigos. A sabedoria, que se constroi com o tempo, é guia insuperável.
Há uma nova geração de idosos, atuantes e participativos. Reúnem-se para atividades de cultura, lazer, esporte. Perderam o medo da internet. Viajam, programam festas, encontram uma renovada raison d’être num momento da existência em que, apenas décadas atrás, a velhice era afastamento, isolamento, desistência.
É uma lição que está à vista de todos. Temos muito a aprender com Vovô e Vovó. Basta deixar os preconceitos de lado, dar um pouco de atenção a eles, olhar nos seus olhos, ouvir o que têm a contar. Ganharemos todos com essa integração de gerações. Idade, enfim, faz parte de felicidade.

Américo Tângari Junior é Médico, especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e Associação Médica Brasileira. 

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