Planejamento de infraestrutura: vital para pacientes e instalações

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Em empreendimentos como hospitais e demais instituições de saúde, falhas ou interrupções no fornecimento de utilidades básicas, como energia, água ou gases medicinais, não podem ser considerados como opção. Em segmentos, que lidam diretamente e indiretamente com a vida de milhares de pessoas, a garantia de funcionamento das instalações, sejam elas clínicas ou técnicas, é de vital importância. Por isso, considerar um planejamento completo e eficaz em gestão e manutenção da infraestrutura é fator crucial neste tipo de operação.
Um bom planejamento pode minimizar em mais de 90% os possíveis riscos à pacientes e usuários das instalações. Isso acontece porque, na operação rotineira de um hospital, as utilidades são imprescindíveis tanto para cirurgias quanto para manutenção de pacientes em estados críticos. Uma queda ou interrupção do serviço de energia elétrica da concessionária padrão, por exemplo, pode necessitar do uso de um gerador para manter o fornecimento de energia principalmente nas áreas críticas. O grande problema é que, embora este equipamento seja obrigatório por lei, muitas vezes, ele pode não funcionar com o desempenho esperado em função de uma má operação ou manutenção.
Em contrapartida, outros componentes bastante utilizados em instituições de saúde, as utilidades – água, frio, calor e gases medicinais –, também são fundamentais para operações cirúrgicas. A falta de um desses recursos pode causar problemas graves aos pacientes. 
Paralelamente, equipamentos cirúrgicos, respiradores, aparelhos de hemodiálise e bombas de infusão, além de todo o aparato necessário para manter pacientes em Unidades de Tratamento Intensivo, precisam ser mantidos de forma preventiva, a fim de se evitar possíveis interrupções de funcionamento.
Neste contexto, o planejamento da gestão da infraestrutura apresenta-se como uma alternativa simples e obrigatória para um estabelecimento que pretenda ser referência, não só em atendimento, mas também em funcionamento. O ideal é iniciá-lo com uma relação que contemple todas as instalações físicas, que costumam ser interligadas, bem como caldeiras, geradores e equipamentos técnicos, em especial aqueles que necessitem de operação com toda a sua capacidade, por longos períodos de tempo ou de importância vital. 
Em seguida, é possível programar o período de tempo para serem realizadas as rotinas de manutenção, sempre com foco em evitar o dano e não em resolvê-lo, após o seu estabelecimento. Isso não significa que a manutenção corretiva não deva ser contemplada. Além de planejada, ela precisa estar disponível, com rápido tempo de resposta, a fim de reparar os danos dos equipamentos. 
Ao mesmo tempo, dada a alta complexidade de estrutura de uma instituição de saúde, é necessário manter uma equipe de especialistas em manutenção e operação. Uma equipe composta por eletricistas e técnicos em manutenção que, de preferência esteja sediada no local, pode acompanhar com total atenção todas as intervenções necessárias e estar disponível para mediações urgentes. 
A manutenção preventiva, por mais que não reduza em 100% os riscos às instalações, é o caminho mais próximo da minimização de riscos. Aliada a um plano de contingência eficaz, pode garantir em grande parte a continuidade dos serviços das instituições. Porém, muitos hospitais ainda enxergam a operação de infraestrutura como um custo e não como um investimento sério, o que banaliza a real importância do processo.
Uma gestão de infraestrutura global cuida da integralidade da instituição, o que se reflete de forma direta na continuidade dos serviços, no sucesso das operações internas e na percepção dos usuários, fatores diretamente relacionados à confiança e credibilidade da instituição de saúde.

Maurício Damiani é Business developer da área de instituições de saúde da Dalkia Brasil.

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