Profissionais de todo Brasil são capacitados em Porto Alegre para potencializar a doação de órgãos

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Foto: Leonardo Lenskij

Qualificar os profissionais para uma abordagem humanizada, dentro de um protocolo padrão, com técnicas testadas e consagradas no país que registra o maior número de doadores do mundo. Esse foi o enfoque do Encontro Nacional de Investigadores do Estudo DONORS, projeto desenvolvido para aumentar a doação no país, realizado durante dois dias (9 e 10 de março) em Porto Alegre (RS). A iniciativa é coordenada pelo Hospital Moinhos de Vento em parceira com o Ministério da Saúde. Estiveram presentes cerca de 250 pessoas que se envolvem no processo de 70 instituições públicas e privadas do país e de Centrais Estaduais de Transplante.

A principal palestrante foi a enfermeira Carmen Segovia, uma das fundadoras da Organização Nacional de Transplantes (ONT) da Espanha. A entidade é a pioneira no mundo na elaboração de um treinamento para tratar sobre doação com pessoas que tiveram um familiar com morte encefálica. Carmen disse que existem três pilares nessa relação: respeito, empatia e autenticidade. “Um pilar não existe sem o outro. A chave está na humanização dos profissionais da saúde. A preparação profissional é tão importante quanto todas as campanhas de mobilização de doações de órgãos”, enfatiza Carmen.

Prova de que o modo de abordar o tema traz resultados é a taxa de recusa de doações na Espanha de apenas 15%. No Brasil, girou em torno de 43% nos últimos quatro anos. O país europeu também é líder mundial na quantidade de doadores. Em 2015, foram 39 por milhão. O Brasil ocupava a 27ª posição, com 14,1 doadores por milhão.

“Este é o maior sistema público de transplantes de órgãos do mundo, pela sua abrangência e números de pessoas envolvidas, reunindo profissionais da área da saúde de 70 instituições do Brasil. Somadas, correspondem a 25% das doações de órgãos no Brasil devido ao alto índice de notificações de morte encefálica”, afirma Luciano Hammes, superintendente de Educação, Pesquisa e Responsabilidade Social do Hospital Moinhos de Vento.

Apesar de o Brasil ter batido recorde de transplantes no ano passado, com quase 25 mil, a lista de espera por um órgão permanece elevada, somando 41 mil pessoas. O médico intensivista Glauco Adrieno Westphal, coordenador do projeto DONORS, destaca a importância da comunicação para o acolhimento da família enlutada na hora de decidir sobre a doação. “Esse é um projeto que tem grandes dimensões, com uma complexidade muito grande. Vem sendo planejado há quase três anos”, informou.

A coordenadora do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, Rosana Reis Nothen reconhece que uma das maiores resistências enfrentadas é a recusa das famílias em relação à doação. “Por isso é muito importante essa parceria com o Hospital Moinhos de Vento e com a ONT da Espanha para reproduzir os modelos que foram bem-sucedidos lá e que já são em essência utilizados no Brasil, para que a qualificação de nossos formadores contemple um modelo exitoso”, afirma.

O Hospital Moinhos de Vento, em parceira com o Ministério da Saúde, também desenvolve outros 16 projetos. As iniciativas coordenadas pelo hospital envolvem a capacitação de profissionais para o transplante de medula óssea, humanização e melhores práticas em terapia intensiva, qualificação do uso de dispositivos para assistência circulatória mecânica, entre outros.

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