Rompendo barreiras: as videoconsultas no Brasil e mundo (PARTE 3)

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Leia a primeira parte desta matéria em: portalhospitaisbrasil.com.br/rompendo-barreiras-as-videoconsultas-no-brasil-e-mundo-parte-1

Leia a segunda parte desta matéria em: portalhospitaisbrasil.com.br/rompendo-barreiras-as-videoconsultas-no-brasil-e-mundo-parte-2

Por Carol Gonçalves

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Avaliação do CFM

O CFM – Conselho Federal de Medicina vê a consulta à distância com muito cuidado, pois, de acordo com o pediatra José Fernando Maia Vinagre, corregedor da entidade, nada substitui a consulta presencial. “Uma consulta médica tem uma sequência, eu preciso ouvir o paciente e examiná-lo. Até sua postura ao chegar no consultório é importante. Tenho de fazer um exame completo, por isso não podemos abrir mão da presença física”, expõe.

Dr. Vinagre diz que não é possível fazer um diagnóstico e indicar um tratamento apenas pelo telefone ou outro meio de comunicação que não seja presencial. “Segundo o código de ética médica, pode-se medicar alguém numa emergência pelo telefone, mas, na primeira oportunidade, é preciso fazer a consulta física ou encaminhar o paciente para atendimento mais próximo. Deve-se ter o mínimo de critério para estabelecer o diagnóstico e o tratamento. O médico não pode ser apenas acessório”, enfatiza.

O corregedor do CFM lembra que a segunda opinião entre profissionais da saúde é permitida no caso de médicos que não são especialistas e precisam de uma opinião a respeito de algum quadro clínico, principalmente em localidades muito distantes. “Mas utilizar a teleconsulta direto, por exemplo, no caso de uma dor de barriga, ligar para um médico para que ele dê o diagnóstico e indique o tratamento, não está nem em análise pelo CFM regulamentar isso”, expõe.

Em situações de retorno ou acompanhamento é diferente. “Saber se a medicação surtiu efeito e como o paciente está se sentindo é absolutamente aceitável. Posso ter acesso ao exame por fax ou WhatsApp para avaliar se houve alteração no resultado, se é necessário o retorno ou se ele vai melhorar”, explica.

Também nos casos de acompanhamento de lesão de pele, Dr. Vinagre diz que é permitido fotografar e mandar a imagem para o médico, por WhatsApp por exemplo, para que ele avalie se precisa de uma visita presencial ou se pode continuar o tratamento. “Não há problema nisso porque o médico já avaliou o paciente, já o conhece”, ressalta.

“Eu faço parte de um grupo de pediatras pelo aplicativo para trocar informações sobre casos, como uma segunda opinião. Posso pedir ajuda se tiver dúvidas sobre diagnóstico e avaliação do paciente, mas não posso expor a pessoa em qualquer rede social. A respeito disso tem regulamentação bem fundamentada. O WhatsApp também facilita o contato com o paciente à distância, se não posso vê-lo. A ferramenta veio ajudar”, revela.

Sobre o atendimento de pessoas localizadas em locais de difícil acesso, Dr. Vinagre diz que é possível orientar à distância no caso de uma emergência, mas não efetivamente tratar e medicar. “É necessário ter um médico próximo, para que possa ser realmente atendido, pois se for apenas à distância, tira a responsabilidade do governo de disponibilizar médicos em todas as regiões”.

HIMSS@Hospitalar

O mercado mundial é uma janela para conhecer o que está dando certo em diversos países, como Colômbia, Israel, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Alemanha. Todas essas experiências puderam ser vistas no HIMSS@Hospitalar, evento que aconteceu de 16 a 19 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP).

Segundo Hummel, o Brasil só vai conseguir participar da evolução da saúde se acoplar-se a ela. “Não temos ciência básica para acompanhar o que está acontecendo no mundo, por isso, temos de fazer acordos, parcerias e joint ventures para evoluirmos”, explica. Como este é um assunto fundamental, no evento houve um dia só para discutir investimentos na saúde. Veja mais sobre o assunto na matéria especial a respeito da Hospitalar Feira + Fórum publicada na edição 84 (março/abril) da Revista Hospitais Brasil.

Matéria originalmente publicada na Revista Hospitais Brasil edição 84, de março/abril de 2017. Para vê-la no original, acesse: portalhospitaisbrasil.com.br/edicao-84-revista-hospitais-brasil

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