Serviços em saúde: a chave da equação

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Enquanto isso, em algum hospital do Brasil:

– Acabei fazendo enfermagem porque precisava trabalhar, mas não gosto de ficar limpando esses pacientes, com esse ar de doença que tem aqui. O dono só pensa em ganhar dinheiro às nossas custas e ainda quer falar que é sustentável! Tá bom!

– Pois é! Ainda inventou um treinamento bem no dia da folga! Aquele povo falando e eu não entendo nada! Só queria estar em casa…

Poderíamos fazer uma tese de mestrado com esse diálogo, não? Duvido que não tenha colaboradores com esse perfil na sua empresa.

A base da equação de excelência dos serviços de saúde está na busca da qualidade em tudo. Cada vez mais entende-se que treinamento não é evento de um dia e um estudo passivo. Ainda mais quando se fala em aprendizagem de adultos.

Esse tema precisa ser levado muito a sério. Após diversos diagnósticos em organizações de vários setores, o impacto do resultado sempre resvala na gestão de pessoas. Uma estratégia de sustentabilidade bem sucedida tem que ser entendida pelos profissionais em todas as escalas.

O primeiro passo para isso é identificar o que é ser sustentável para seu negócio. Quais são as áreas de maior impacto negativo? O que tornará a empresa mais rentável e lucrativa? Esse é o dever número um de qualquer companhia.

Após esta definição, como encontrar as melhores pessoas para fazer parte do time? A resposta não é simples e tampouco de solução rápida. A sustentabilidade pede uma visão de longo prazo e um comprometimento real com o desenvolvimento dessas pessoas. Sem deixar de olhar para as demandas de curto prazo, é claro, pois a empresa precisa andar!

A tríade padrão, treinamento e vigilância é, de fato, mandatório para medir resultados e poder aprimorá-los com o tempo. Mas há algo antes e que começa na seleção e recrutamento: saber se o candidato gosta da área é imprescindível e o selecionador deve ter esse espírito e essa sensibilidade. É possível!

Após isso, a meta é fazer um vínculo das causas do colaborador com as da própria empresa. Muitas vezes as pessoas não são muito qualificadas profissionalmente. A maioria não teve acesso aos estudos e conhecimento, ou talvez pense mais em dinheiro por não ter as necessidades básicas atendidas completamente. O direcionamento e esclarecimento de como elas podem chegar aos objetivos com o trabalho demonstram um interesse genuíno por parte do empregador e acaba se tornando um trabalho social com seu público interno, algo que deveria ser obrigatório. Precisamos desenvolver as pessoas – é uma questão de se comprometer com a necessidade do próprio negócio, da sociedade e do país. Precisamos de gente melhor preparada, engajada e que nos tragam melhores resultados de forma que todos estejam satisfeitos. Isso demanda tempo e investimento, porém os ganhos são incalculáveis.

Outra questão importante é a transparência. São passíveis de ocorrer imprevistos, erros e más interpretações de ambas as partes (empregado e empregador) nesse processo, mas tratar a questão de forma natural e verdadeira costuma render bons frutos. No caso de sua empresa ainda não dispor de verba para fazer adequadamente esse tipo de investimento, planejar, compartilhar e dialogar sobre as intenções que elevam o patamar do negócio é um bom começo.

Hoje, as pessoas buscam existência, algo que as façam levantar cedo da cama e enfrentar duas horas no trânsito para chegar ao trabalho. Elas almejam sentido (que na saúde já se encontra muito pela nobreza do próprio setor), mas querem mais. O mundo anda complexo e esse sentido é fundamental para qualquer ser humano. Vamos girar essa chave?

 

Roberta Valença é CEO da Arator, consultoria de gestão e educação para sustentabilidade com inovação (roberta@aratorsustentabilidade.com.br)

 

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