Otimizando custos e procedimentos médicos, kit único promete detecção de microrganismos diversos

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Visando otimizar os procedimentos médicos, uma pesquisadora brasileira está desenvolvendo um kit único, capaz de detectar rápida e simultaneamente uma variedade de microrganismos como bactérias, fungos e vírus associados à saúde humana. O projeto, financiado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) e tocado pela pesquisadora Rosane Silva, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ, está na busca de um painel de genes microbianos para identificação rápida de patógenos de relevância médica.

Atualmente, para se descobrir o que provoca uma infecção, os kits disponíveis no mercado são específicos para um único microrganismo alvo, além de terem algumas limitações. Dessa forma, o kit único mostra-se eficaz em reduzir o tempo do diagnóstico e identificar espécies em amostras biológicas independente de cultivo prévio, aumentando, inclusive, a abrangência dos patógenos presentes, de possíveis resistências a medicações.

Outra vantagem do kit é sua eficácia mesmo com quantidade mínima de material. Em testes, a sensibilidade de detecção foi de 500 genomas bacterianos em amostras simuladas, contendo apenas 1 nanograma de DNA humano com diversas bactérias. De acordo com Silva, esta característica é importante para esclarecer casos de falso-positivo de pacientes que receberam antibiótico em unidades hospitalares e, por isso, em quantidade insuficiente para análise.

O kit também poderá auxiliar a detecção em amostras provenientes de infecções articulares, principalmente infecções em próteses ortopédicas ou tecido cardíaco como endocardite, bem como em pacientes pediátricos, incluindo neonatos e prematuros.

Capaz de oferecer resultados em 24 a 72 horas, a plataforma permitirá o início precoce de uma terapêutica direcionada e eficaz em diferentes casos de infecções. Com isso, a pesquisadora acredita na redução da mortalidade, no tempo de internação e nos custos hospitalares.

Rosane Silva é Cientista do Nosso Estado pela Faperj e ainda recebeu financiamento da Capes e do CNPq. Os resultados até agora geraram três artigos sobre o tema nos periódicos PLoS One, Microbiologyopen e Gene. Ela espera validar todos os testes em até 24 meses.

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