4 entre 10 brasileiros reprovam a saúde no país

Uma pesquisa realizada para a Associação Nacional de Hospitais Privados – Anahp, pelo PoderData, revelou que 43% dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e de planos de saúde consideram a saúde no Brasil ruim ou péssima. O levantamento apontou, ainda, que 45% dos entrevistados avaliam como regular e apenas 9% a classificam como boa ou ótima.

Os resultados mostram que quanto mais alto o grau de instrução, maior o índice de insatisfação com a saúde. A classificação de ruim ou péssima chega a 50% entre entrevistados de nível superior – 16 pontos percentuais a mais do que foi apurado entre os que possuem apenas o nível fundamental (34%).

A percepção sobre a qualidade da saúde varia também de acordo com a faixa etária. Jovens de 16 a 24 anos de idade são os que fazem a pior avaliação da assistência ofertada no país, com um índice de reprovação de 47%. Contrariamente, pessoas com 60 anos ou mais são as que têm a opinião mais favorável, com 17% de ótimo ou bom.

“Esses indicadores refletem a insatisfação dos brasileiros com o sistema de saúde como um todo e revelam que a população tem uma imagem negativa da assistência ofertada. Fica claro que existe demanda por melhores serviços e espaço para promover melhorias”, analisa Rodolfo Costa Pinto, diretor do PoderData e coordenador da pesquisa.

Denominada “O que pensam os brasileiros sobre a saúde no Brasil?”, a pesquisa foi realizada entre 1º e 8 de abril deste ano por telefone, por seleção aleatória. Foram entrevistadas 3.056 pessoas acima de 16 anos de 388 municípios, nos 27 estados do país.  A sondagem faz parte da campanha “2022: o ano de ouvir a saúde”, lançada pela Anahp com o objetivo de colocar a saúde no centro das atenções dos candidatos às eleições deste ano.

Apesar de os brasileiros terem uma percepção geral negativa da saúde praticada no país, ao serem questionados novamente, agora em grupos separados, quem utiliza SUS e aqueles que utilizam a saúde suplementar, o grau de satisfação muda.

45% dos usuários do SUS classificam os serviços prestados como ótimos ou bons e apenas 9% consideram ruim ou péssimo, ainda que reconheçam dificuldades para a realização de exames e consultas. Citam também a falta de médicos e de acesso a medicamentos gratuitos como barreiras.

O maior índice de aprovação (51%) ocorre entre as pessoas com ensino fundamental e o menor percentual (25%) entre entrevistados com ensino superior. Usuários com salário superior a 10 salários-mínimos são os mais críticos aos SUS (13% de ruim ou péssimo), assim como pessoas com 60 anos e as mulheres.

“Embora o grau elevado de aprovação seja uma aparente contradição, ele é consequência da valorização do SUS durante a pandemia de Covid-19. Esse foi um dos fatos importantes desse período, quando aumentou o conhecimento das pessoas acerca desses serviços”, avalia Antônio Britto, diretor executivo da Anahp.

Já o nível de satisfação com os planos de saúde mostra que 5 entre cada 10 brasileiros (53%) que pagam pela saúde suplementar consideram a qualidade dos serviços ótima ou boa.

Assim como no SUS, a análise por nível de instrução, renda, idade e gênero revela que a percepção acerca dos planos de saúde varia entre os grupos de usuários, mas de maneira inversa ao que foi detectado no sistema público.

O maior índice de aprovação (70% de ótimo e bom) se dá na faixa que ganha mais de 10 salários-mínimos e entre usuários sem renda fixa ou desempregados (80%). Avaliações positivas também predominam entre usuários com nível superior (56%), pessoas com 60 anos ou mais (77%) e mulheres (60%).

A pesquisa ouviu separadamente usuários do SUS e de planos de saúde que utilizaram os serviços nos últimos 12 meses e endereçou perguntas específicas para cada grupo. Apenas a avaliação geral sobre a saúde no Brasil e o levantamento das prioridades para o próximo governo foram comuns a todos os participantes.

Em relação a este último item, os resultados demonstram que maior investimento em tecnologia e inovação e mais medicamentos gratuitos no SUS são as principais demandas da população para o próximo governo, apontadas por 50% dos entrevistados.

Melhor qualificação dos profissionais de saúde (18%), serviços com foco na população idosa (14%) e melhoria no saneamento básico (13%) também figuram entre os anseios dos brasileiros para o futuro da saúde.

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