Aumento na testagem para Covid-19 pode deixar doentes em fila por resultados

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Festas regadas a testes rápidos para detectar infecção pela Covid-19 viralizaram na internet nos últimos dias. Laboratórios e farmácias estão disponibilizando os exames que podem ser feitos por qualquer pessoa, inclusive para aquelas que são assintomáticas. Além disso, na última semana, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incluiu o teste sorológico na lista de coberturas obrigatórias dos planos de saúde. Para a pneumologista Fernanda Miranda, que atende no Órion Complex, essa situação pode gerar um uso inadequado dos testes, que segundo ela, devem ser feitos apenas por pessoas que apresentam sintomas.

Para a médica, a corrida por exames em quem está saudável vai prejudicar aqueles que estão doentes e precisam de agilidade dos resultados. “É urgente e necessário que as pessoas tenham informação correta em mãos. Já estamos com nossos pacientes esperando sete dias pelos resultados. Pessoas que realmente estão doentes e precisamos do exame para estabelecer as condutas”, diz ela, que lembra também que muitos estão fazendo exames para viajar por causa do período de férias ou até mesmo para realizar encontros sociais com aglomerações desnecessárias.

O grande problema é que, quando se trata do RT-PCR, feito a partir de coleta de secreção nasal, todos os resultados são processados na mesma central de análise, independente do laboratório ou hospital que coleta. “Com os planos de saúde sendo obrigados a custear isso, a grande preocupação, é que os pacientes pressionem os médicos a pedirem os testes mesmo quando não há real necessidade e isso vai sobrecarregar o sistema”. Para Fernanda, que é especialista em doenças respiratórias, não há fundamento fazer testes em assintomáticos, isso porque o estágio da doença interfere diretamente na precisão do resultado. O exame mais comum de RT-PCR, que detecta o RNA viral, tem melhores resultados entre o 2° e 7° dias depois de iniciado os sintomas. Podendo permanecer positivo por mais de 30 dias depois da infecção não significando que o indivíduo continua transmitindo.

Exames de sangue através de várias metodologias que podem ser utilizadas, podendo ou não ser o chamado teste rápido, detectam as imunoglobulinas produzidas a partir da infecção, que na Covid-19, aparecem após o 7° dia de iniciados o sintomas, sendo a data mais ideal, a partir do 21º dia. “Perceba que há uma absoluta importância em se correlacionar data de início dos sintomas com a solicitação de qualquer tipo de teste, portanto não há nenhuma indicação para se realizar testes em indivíduos assintomáticos, salvo raríssimas exceções”, explica Fernanda, que lembra também que o positivo e não sintomático, detectado no teste rápido, não é um “passaporte para imunidade” e não deve ser interpretado como sendo uma proteção para o indivíduo para um possível reinfecção. “Solicitação de testes para frequentar lugares, festas e eventos é completamente imprudente. Recursos são finitos, os testes devem ser bem aplicados, já estamos sofrendo com a demora de resultados devido a alta demanda para quem realmente precisa do diagnóstico”, pontua.

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