Bactérias do útero podem determinar chance de engravidar com fertilização in vitro

As chances de sucesso no tratamento de fertilização in vitro (FIV) podem estar associadas com a composição do microbioma do endométrio das pacientes inférteis. As pacientes que apresentavam as bactérias Atopobium, Bifidobacterium, Chryseobacterium, Gardnerella, Haemophilus, Klebsiella, Neisseria, Staphylococcus e Streptococcus não conseguiram engravidar. Por sua vez, as pacientes com microbioma dominado por Lactobacillus conseguiram engravidar a longo prazo. A descoberta, liderada por pesquisadores da Fundação Igenomix, foi publicada em janeiro na revista científica Microbiome.

Desde o início da pesquisa sobre o papel das bactérias no sistema reprodutivo feminino, os autores já observavam piores desfechos reprodutivos em pacientes inférteis com microbioma alterado. O objetivo então foi determinar se a composição desse microbioma antes da transferência de embriões nos tratamentos de Fertilização in vitro estava associada aos desfechos reprodutivos dos nascidos vivos, gravidez bioquímica, aborto clínico ou ausência de gravidez.

O estudo mostrou que as pacientes que apresentaram um perfil alterado de microbioma endometrial não tiveram um desfecho positivo. Por outro lado, aquelas que apresentaram um microbioma composto de Lactobacillus, conseguiram engravidar. “Estes achados indicam que a composição do microbioma endometrial antes da transferência de embriões é um biomarcador útil para prever o resultado reprodutivo, oferecendo a oportunidade de melhorar ainda mais as estratégias de diagnóstico e tratamento”, explica a bioquímica Inmaculada Moreno, diretora da área de microbioma da Igenomix e primeira autora da pesquisa.

Como o estudo foi feito – Observacional prospectivo e multicêntrico, o estudo foi realizado em um total de 342 pacientes inférteis de 13 clínicas na Europa, América e Ásia. Por meio de sequenciamento de nova geração, foram analisadas as amostras endometriais das pacientes. Ao analisar o rRNA 16S no fluido coletado e no tecido do endométrio biopsiado antes da transferência embrionárias, revelou-se que o desequilíbrio bacteriano levava a um pior resultado reprodutivo.

Especificamente, proporções aumentadas das bactérias Atopobium, Bifidobacterium, Chryseobacterium, Gardnerella, Haemophilus, Klebsiella, Neisseria, Estafilococos e Estreptococos obtiveram falhas nos resultados. Em contrapartida, a presença dominante de bactérias Lactobacillus permitiu que as pacientes, após realização do FIV, pudessem dar à luz a um recém-nascido. “Os Lactobacillus podem ter ajudado a prevenir patógenos, aumentando a resistência, mais que exercendo um benefício direto”, ressalta Inmaculada Moreno.

Histórico de contribuição para a ciência – Estudos prévios, realizados pelo grupo de pesquisa liderado por Inmaculada Moreno, já contribuíram em 2016 para a comunidade científica o conhecimento sobre o microbioma endometrial das mulheres, dando um passo adiante na melhoria dos tratamentos de reprodução assistida. Além do diagnóstico de doenças que produzem infertilidade, como a endometrite crônica derivada de uma infecção patogênica, os estudos permitiram listar os tipos de bactérias que habitam o endométrio.

Referência:

Moreno I, Garcia-Grau I, Perez-Villaroya D, Gonzalez-Monfort M, Bahçeci M, Barrionuevo MJ, Taguchi S, Puente E, Dimattina M, Lim MW, Meneghini G, Aubuchon M, Leondires M, Izquierdo A, Perez-Olgiati M, Chavez A, Seethram K, Bau D, Gomez C, Valbuena D, Vilella F, Simon C. Endometrial microbiota composition is associated with reproductive outcome in infertile patients. Microbiome. 2022 Jan 4;10(1):1.

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