Cardiologia em Evolução: Estudos clínicos que impactaram a prática cardiológica nos últimos anos

A pandemia de Covid-19 atingiu o mundo em vários aspectos, inclusive na negligência das pessoas em relação aos cuidados e atendimentos cardiológicos. Com receio de ser contaminada pelo Coronavírus, a população deixou de lado o tratamento de doenças, a alimentação mais saudável e as atividades que auxiliam na prevenção dos fatores de risco para o coração, conforme a constatação de inúmeras pesquisas e levantamento da própria Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP).

Mas por outro lado, a ciência não ficou parada nesses tempos e a Cardiologia seguiu em franca evolução. “A edição mais recente da revista científica da SOCESP apresenta importantes avanços conquistados nesses tempos difíceis onde bravamente os pesquisadores seguiram os seus trabalhos apesar das adversidades momentâneas”, contextualiza a presidente da SOCESP, Ieda Jatene.

“Mais do que nunca, ficou clara a importância da medicina baseada em evidências, da pesquisa e das sociedades científicas. Nos últimos dois anos observamos o surgimento, a incorporação e a confirmação do benefício de inúmeras novas terapias, sejam medicamentos ou procedimentos invasivos”, conta do editor-chefe da edição, Marcelo Franken. Ele teve como coeditores Lilia Nigro Maia e Otavio Berwanger, “grandes expoentes da pesquisa clínica no Brasil”, como citou em editorial.

A revista traz artigo sobre doença coronariana crônica, com os estudos ISCHEMIA, que trata da terapêutica (invasiva ou não invasiva) da coronariopatia crônica, e LoDoCo2, que discute o potencial papel da colchicina no tratamento da enfermidade. “No campo das valvopatias temos observado impressionante desenvolvimento de terapias minimamente invasivas, com o fortalecimento da troca valvar aórtica por cateter, discutida no estudo PARTNER 3”, conta Franken sobre o segundo artigo da revista.

A publicação também tem trabalhos sobre a Hipertensão Arterial Sistêmica com os dois estudos. Um com metas mais agressivas de controle pressórico em pacientes idosos e no outro é criado o embasamento para incorporação da denervação simpática renal endovascular ao arsenal terapêutico da HAS.

Há ainda artigo sobre as terapias hipolipemiantes e a utilização do conceito da “polipílula”, onde diversos medicamentos são combinados de maneira fixa com a intenção de aumentar a aderência aos remédios. “Discute-se a importância de uma nova classe de medicamentos que vem se mostrando cada vez mais efetivo, os inibidores da SGLT2, talvez a maior incorporação ao arsenal medicamentoso dos últimos anos em cardiologia após as estatinas”, comenta o editor. A publicação traz artigos relacionados às Síndromes Coronarianas Agudas, a utilização de antitrombóticos e o tratamento da Insuficiência Cardíaca nos dias atuais.

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