O Hospital de Base (HB), de São José do Rio Preto (SP), atingiu na terça-feira (7) a marca histórica de 1.000 cirurgias robóticas, reafirmando sua condição de referência em medicina de alta tecnologia no Brasil. O procedimento foi realizado em paciente do SUS, utilizando o robô Da Vinci Xi. O HB de Rio Preto foi o primeiro hospital do interior a dispor da plataforma robótica Da Vinci Xi.
A milésima cirurgia robótica foi realizada no pedreiro Manoel Valter Santos, morador de Paulo de Faria, que, após passar a ter dificuldade para engolir e uma dor persistente, descobriu ano passado ter câncer no esôfago. Hipertenso e ex-tabagista, Manoel não se deixou abalar. Após seis ciclos de quimioterapia, ele concordou com a indicação da equipe médica do HB para a cirurgia robótica.
Para o diretor executivo da Funfarme, Dr. Horácio Ramalho, a marca evidencia o compromisso social da instituição. “O Centro de Robótica da Funfarme cumpre papel fundamental ao disponibilizar o que há de mais avançado em cirurgias, com menor morbidade, menor mortalidade e rápida recuperação”, afirma Dr. Horácio, que destaca o ineditismo e o impacto desse acesso. “Estamos completando 1.000 robóticas, das quais 30% foram em pacientes do SUS. O Hospital de Base é uma das poucas instituições de saúde do Brasil que oferece esse tipo de tratamento aos pacientes do sistema público de saúde”, completa.
Cirurgião do aparelho digestivo e coordenador do programa de cirurgia robótica do HB, Dr. Marco Antonio Ribeiro Filho, ressalta que esse volume reflete a responsabilidade institucional com a tecnologia e a segurança dos pacientes. “Nós vivemos o SUS, amamos o SUS. Nós defendemos o SUS e nós acreditamos que com certeza é o melhor plano de saúde que existe, e nós temos que nos orgulhar disso e trazer quanto mais tecnologia for possível para os nossos pacientes do SUS”, afirma o médico. Ele conclui “A democratização da cirurgia robótica que a Funfarme Hospital de Base traz é a cereja do bolo que mostra o DNA da nossa instituição: compromisso social, avanço tecnológico e ensino e pesquisa”, disse.
O preparo para garantir a excelência nos procedimentos é rigoroso, como explica Thainá de Oliveira Laluce, enfermeira da cirurgia robótica. “Para a implementação de um serviço de cirurgia robótica envolve muitos processos, principalmente na questão de layout de sala, de dimensionamento de equipe e até de infraestrutura, que precisa ser pensada para acomodar a plataforma robótica, porque ela é muito robusta e pesa cerca de uma tonelada”. Todo esse planejamento tem um único objetivo, segundo a enfermeira “A gente quer dar essa experiência pro paciente, a gente quer oferecer o melhor que tem de tecnologia e de recursos humanos também aqui no hospital”.
Utilização
Atualmente, o robô é utilizado em cirurgias urológicas, tratamento de câncer de próstata, rim e bexiga, e em cirurgias oncológicas do aparelho digestivo, ginecológicas, como histerectomias e miomectomias. Do total de procedimentos, cerca de 30% serão em pacientes do SUS, beneficiando pacientes do Brasil inteiro, especialmente do interior paulista e de Estados como Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. De acordo com o que foi divulgado, foram investidos R$ 12 milhões somente na aquisição do aparelho, sem contar com outros recursos destinados para melhoria da estrutura tecnológica, estrutura física (área com 1.200m²), processos de treinamento e qualificação de profissionais.
Capacitação médica e de excelência
Além da assistência inovadora aos pacientes, a cirurgia robótica no Hospital de Base transformou a instituição em um importante polo de ensino. O Dr. Horácio Ramalho frisa que “existe um curso contínuo de formações de novos profissionais aliado à assistência de alta qualidade”, onde a tecnologia é apresentada aos residentes, cumprindo “todo o papel de ensino, assistência de qualidade e pesquisa com publicações”, afirma.
O coordenador da robótica, Dr. Marco Antonio, endossa essa vocação formadora “Nós somos um grande centro formador em cirurgia robótica. Temos um programa muito robusto, onde nós conseguimos fazer a formação de novos cirurgiões e eles saem muito bem formados e prontos para o mercado”. Essa qualificação abrange todo o ecossistema cirúrgico, conforme destaca a enfermeira Thainá “A gente precisa treinar toda a equipe multidisciplinar, tanto a equipe médica, auxiliares, técnicos de enfermagem e instrumentadores. Criamos todo um protocolo do serviço para poder atender o paciente da melhor forma possível, com segurança”, disse.
