Mamografia: apesar dos progressos, ainda há muito a se conquistar

A importância da mamografia levou à criação de Lei federal que institui 5 de fevereiro como o Dia Nacional da Mamografia. O desafio do diagnóstico precoce do câncer de mama, apesar de ter progredido muito em suas metas, ainda incita diferentes lutas, observa o oncologista André de Moraes, do Centro de Oncologia Campinas (SP). São questões relacionadas à acesso, informação e equidade.

Ofertar na rede pública um sistema de rastreio e de tratamento de primeira linha, equiparado ao disponibilizado pela rede privada, é um dos grandes desafios da saúde, lembra o oncologista. Segundo ele, é essencial ainda quebrar barreiras educacionais e estabelecer o diagnóstico precoce como regra de conduta. E, ainda, encontrar caminhos para estender a outros tipos de câncer a mesma atenção dispensada ao de mama no que se refere à oferta de meios para a detecção precoce.

“A disponibilidade de acesso aos sistemas de rastreio é um grande desafio do câncer. Tem campanhas e ofertas de mamografias, mas não de endoscopia, por exemplo. Há também o desafio educacional para poder vencer as barreiras e crenças que ainda bloqueiam o diagnóstico precoce e o desafio do custeio”, enumera Moraes. Os exames de mamografia, observa Moraes, passaram a integrar a rotina de cuidados com a saúde das mulheres graças ao aumento da oferta e às campanhas de prevenção ligadas ao câncer de mama. O entrave está no que vem depois dos primeiros passos – os tratamentos e recursos cirúrgicos e terapêuticos.

“Nós temos muitos problemas com a saúde pública ainda, estamos bastante defasados do ponto de vista dos recursos terapêuticos para a maior parte dos diagnósticos. A nação precisa dirigir um esforço concentrado nesta área para garantir que todas as pessoas alcancem os tratamentos melhores para aquela situação. E que o sistema único de saúde também olhe para a sustentabilidade do sistema”, opina. O oncologista André Moraes pontua que para que os pacientes recebem tratamento adequado, é necessário que as instituições responsáveis por eles tenham também “boa saúde”.

“Não adianta, por exemplo, fornecer um medicamento de alto custo aos usuários do SUS, se não mantiver o custeio das instituições responsáveis por atendê-los. Não basta conseguir recursos e ampliar a cobertura medicamentosa. Você também tem que conseguir recursos para melhorar a condição operacional do sistema de saúde, que é o que está faltando hoje.” O contrassenso indicado pelo especialista é baseado também no sucateamento das instituições. “Não houve qualquer melhoria no custeio dos tratamentos, os hospitais estão sendo remunerados de maneira defasada, de maneira a colocar em risco a estrutura hospitalar que é capaz de fornecer esses tratamentos gratuitamente”, alerta.

Pandemia

A pandemia do novo Coronavírus acentuou os problemas apontados por André de Moraes. Testada ao limite, a saúde pública foi obrigada a fazer escolhas, deixar de lado procedimentos eletivos, consultas e casos de menor gravidade para priorizar o combate à Covid-19. Levantamento da Fundação do Câncer apontou que a procura por exames, como a mamografia, teve queda de 84% durante a pandemia. Outra pesquisa, feita pelo Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, mostrou que 71% dos pacientes do SUS tiveram dificuldades para fazer exames, e outros 66% enfrentaram problemas para conseguir consultas.

Mamografias

Quando o represamento de atendimentos começava a se dissipar, nova onda da pandemia voltou a sobrecarregar o sistema de saúde. Porém, a vacinação permite agora a retomada da rotina de cuidados da saúde, que inclui os exames de mamografia. No Brasil, a recomendação do Ministério da Saúde – assim como a da Organização Mundial da Saúde – é a realização da mamografia de rastreamento em mulheres com idade a partir dos 50, uma vez a cada dois anos, como forma de identificar o câncer antes do surgimento de sintomas.

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), porém, indica o exame anual a partir dos 40 anos. Já nos casos de mulheres com risco aumentado, como história familiar da doença, a recomendação é para iniciar o acompanhamento mais cedo. Estudos mostram que há 95% de chances de cura dos cânceres de mama diagnosticados precocemente.

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