Microorganismos resistentes são uma das grandes ameaças para a saúde global

A Comunidade de Inteligência dos EUA, federação de 17 agências governamentais independentes que realizam atividades de inteligência, divulgou um relatório com cenários globais para os próximos 20 anos. Na saúde, o relatório intitulado ‘Global Trends 2040 – A More Contested World‘ (‘Tendências Globais 2040 – Um Mundo Mais Contestado’, em português) traz uma análise sobre as principais tendências e, como desafios da área da saúde, pontua o crescimento da resistência de microorganismos causadores de diversas doenças.

O documento pontua que a resistência ao tratamento com antibióticos está aumentando em todo o mundo, “em parte devido ao uso excessivo e incorreto” do medicamento. “As infecções resistentes aos medicamentos causam mais de meio milhão de mortes anualmente e o custo econômico cumulativo pode chegar a US$ 100 trilhões entre 2020 e 2050 em razão da perda de produtividade e do alto custo de internações ou tratamentos prolongados”, alerta o documento.

O relatório destaca ainda que “a incidência de novas pandemias também tende a crescer devido ao aumento do risco de novos patógenos animais infectando humanos e fatores que permitem a disseminação, como mobilidade humana e densidade populacional”.

Enfrentamento

Com um cenário desafiador, medidas para o enfrentamento aos microorganismos causadores de doenças são buscadas constantemente. Um dos instrumentos de combate tem sido o cobre. Vários estudos independentes comprovam a eficácia do cobre contra vírus, bactérias e fungos. “O cobre possui uma grande quantidade de íons livres e essas partículas geram uma espécie de ‘ataque’ à membrana externa desses patógenos, rompendo-as e também ao DNA ou RNA, que os destroem de forma definitiva”, explica o gerente de Inovação e Tecnologia da Cecil S/A Laminação de Metais, Clayton Lambert.

No Brasil, análises do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, comprovou que, sobre superfícies envolvidas com o material, 99,9% dos vírus do SARS-CoV-2 são eliminados em 1 hora, e 99,99% são eliminados em até duas horas. Já em superfícies plásticas ou de aço inox podem sobreviver por até três dias.

A Cecil e o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) desenvolveram no Brasil um projeto pioneiro para a produção de nanocobre, com tecnologia para encapsulamento do elemento ativo proveniente de reservas da própria empresa. “A ação biocida das nanopartículas de cobre metálico ocorre no contato com fungos e bactérias, causando a morte celular, principalmente pela quebra da parede devido ao estresse oxidativo proporcionado pela liberação de espécies reativas de oxigênio (Reactive Oxygen Species – ROS), formadas a partir da oxidação do cobre e pela desestruturação da membrana lipoproteica a partir da liberação de elétrons e formação de cargas iônicas”, fala Lambert. “Além disso, a desnaturação de enzimas e proteínas, e a danificação do código genético causado pelos ROS impedem a proliferação celular e elimina o material viral”, completa.

A competência, que é 100% nacional de ponta a ponta, já deu origem a um registro de patente.

Adesivos de cobre têm sido outra ferramenta de prevenção à proliferação de microrganismos. Fabricados pela Cecil e a empresa Elfer (especialista em serviços em metais), podem ser instalados em superfícies que são muito tocadas pelas pessoas, como maçanetas, interruptores, elevadores, corrimãos, catracas, balcões e barras do transporte público, por exemplo, além de espaços em condomínios, clínicas odontológicas e hospitais. “O uso do cobre não deve substituir as práticas padrão de controle de infecção, mas ser um aliado, uma barreira de proteção adicional”, salienta Lambert.

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