Movimento de pacientes oncológicos cai pela metade durante a pandemia

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O setor de Oncologia do Hospital Santa Catarina (HSC), de São Paulo (SP), registrou números preocupantes sobre a sequência dos tratamentos contra o câncer durante a pandemia do novo coronavírus. Nos meses de abril e maio, os tratamentos, exames e consultas de rotina sofreram uma queda de mais de 50% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em junho e julho, os indicadores já apresentaram melhora, o que indica uma retomada do movimento normal nos hospitais privados, pelo menos na capital paulista.

O cenário é preocupante em todo o país. Outro dado, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, estima que cerca de 100 mil brasileiros podem ter deixado de receber o diagnóstico de câncer desde março, por receio de irem ao hospital para consultas de rotina.

De acordo com o Dr. Antônio Cavaleiro, oncologista do Hospital Santa Catarina, esses números expõem uma fragilidade na principal arma para a eficácia do tratamento oncológico: o diagnóstico precoce. “Temos escutado dos pacientes um receio em agendar consultas ou realizar exames periódicos, que podem detectar precocemente o câncer ou uma eventual recaída da doença. Muitos têm ignorado sintomas de alerta, como fadiga e emagrecimento, que podem alertar sobre a atividade da doença”, afirma o médico.

Transplantes exigem medidas extras de segurança

Para as neoplasias hematológicas, tipos de câncer que afetam o sangue, medula óssea e sistema linfático, isso pode ser ainda mais grave. Doenças como leucemia e linfoma são responsáveis por cerca de 12 mil casos novos por ano entre homens e mulheres no Brasil, e os sintomas iniciais também podem ser confundidos com quadros menos graves, relacionados à anemia, dores musculares comuns ou estresse.

Segundo a Dra. Adriana Penna, hematologista do Hospital Santa Catarina, uma vez diagnosticadas, as neoplasias hematológicas são combatidas com quimioterapia, imunoterapia e, em alguns casos, com o Transplante de Medula Óssea, que ajuda a restabelecer a capacidade de produção de células sanguíneas. “A evolução da medicina nos mostra que, mesmo em meio a uma pandemia, tratamentos e procedimentos complexos como o transplante podem ser feitos com todo o cuidado que esse momento merece. Os pacientes devem continuar conversando com seus médicos, porque contra o medo, o melhor remédio é a informação”, explica a especialista.

Para esse e outros procedimentos oncológicos, o HSC adotou um novo fluxo de atendimento, com Pronto Atendimento no próprio Ambulatório de Oncologia e boxes individuais para aplicação de medicação. Para minimizar o deslocamento dos pacientes, quando não é possível realizar consultas não presenciais via telemedicina, os atendimentos são agendados para coincidir com a data da realização de exames e infusões. No caso de procedimentos que necessitem de internação, o paciente é orientado, por telefone, a fazer isolamento preventivo de 14 dias, e, três dias antes da internação, ele deverá comparecer ao Hospital para fazer o exame RT-PCR para detecção de Covid-19 no regime drive-thru, no estacionamento, sem que precise sair do carro.

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