Saúde pública: tecnologia apoia combate a arboviroses

Em época de chuvas mais intensas, como ocorre no verão, os surtos de arboviroses causados pelo mosquito Aedes aegypti se tornam dor de cabeça para os gestores da Saúde Pública. As estratégias para lidar com essas doenças incluem, primeiramente, o combate ao vetor, mas, além disso, a rede de atendimento tem de estar estruturada para comportar a alta na demanda.

No último Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), divulgado pelo Ministério da Saúde no fim de novembro de 2017, 357 municípios brasileiros foram classificados em situação de risco de surto de dengue, zika e chikungunya. Isso significa que mais de 9% das 3.946 cidades que fizeram o mapeamento apresentaram altos índices de larvas do mosquito. O LIRAa identificou ainda 1.139 municípios em alerta, com taxa de infestação nos imóveis entre 1% e 3,9%, e 2.450 municípios com índices satisfatórios, mostrando menos de 1% das residências com larvas do mosquito em recipientes com água parada.

O LIRAa apontou que, em 2017, a incidência de dengue no país foi de 116 casos para cada 100 mil habitantes, redução de 84% em relação ao ano anterior. A região com maior índice foi a Centro-Oeste, com 476,9 casos para cada 100 mil habitantes. Também houve redução de 73% dos casos graves de dengue (de 901, em 2016, para 243, em 2017) e de 82,4% nos óbitos (de 694 para 122, no mesmo período).

De acordo com a Pasta federal, o Mapa da Dengue, outro nome para o LIRAa, é um instrumento fundamental para o controle do Aedes aegypti, já que, com as informações coletadas, a gestão da Saúde Pública municipal tem melhores condições de fazer o planejamento das ações para lidar com o problema. Para as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) que já adotaram o Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), obrigatório desde o início de 2017, esses dados se somam aos coletados pelo sistema e se transformam em informações valiosas para a elaboração de uma estratégia assertiva e preventiva contra as doenças.

No entanto, até novembro de 2017, 64% das 42,5 mil unidades do país ainda não usavam o PEC, conforme o ministério, por dificuldades que vão da falta de equipamentos à conectividade. Além disso, o prontuário eletrônico do SUS não possui todas as funcionalidades de um Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP).

Ao permitir o uso de ferramentas como Business Intelligence (BI) e analytics, o PEP amplia o alcance das estratégias de combate às arboviroses. Essas tecnologias são capazes de organizar, hierarquizar e cruzar dados, determinando a localização das populações com maior risco de contrair as doenças. Dessa forma, direcionam-se as atividades das Equipes de Saúde da Família (ESFs) para áreas de maior incidência, ação associada à estratégia da Vigilância Epidemiológica, por exemplo.

Prever esses cenários auxilia, também, no engajamento da população no combate ao mosquito vetor, pois os gestores sabem exatamente onde investir em campanhas de conscientização sobre água parada, concentrando agentes comunitários de Saúde em localidades nas quais o risco é maior. As ações podem se estender também aos agentes que realizam a dedetização, otimizando o direcionamento das equipes aos pontos de mais necessidade.

Custos

O consequente aumento no número de cidadãos atendidos nas UBSs durante surtos de arboviroses inflaciona os custos da Saúde Pública. Nesse ponto, a tecnologia pode ajudar em um melhor planejamento dos recursos disponíveis.

Além disso, com as análises proporcionadas pelas ferramentas de BI e analytics, a medicina preventiva se torna parte da estratégia da gestão da Saúde Pública, permitindo que cenários futuros sejam previstos antes mesmo que as chuvas aumentem.

Fonte: Blog da MV

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