A saúde baseada em valor é um desafio no Brasil

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A construção de uma relação de confiança entre fabricantes, médicos, pagadores e hospitais no Brasil é um dos principais desafios para a entrega de um assistência baseada em valor, na opinião do presidente da Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde (ABIIS), Walban Damasceno de Souza. Ele participou do 1º Congresso Latino-Americano de Valor em Saúde (CLAVS’19), no dia 19 de março, em São Paulo (SP).

“É preciso investir em infraestrutura. Não coletamos informações suficientes. Como vamos discutir um modelo de compartilhamento de risco baseado na confiança, se não há dados de qualidade? O que permitirá essa construção são as evidências, fatos e dados”, afirmou. Mas, para ele além de criar processos e gerar dados, todos os atores da cadeia precisam se comprometer com o trabalho conjunto. “Cada um tem a sua visão e uma experiência importante e juntos vão aportar valor no desenvolvimento deste processo”, completou.

A sustentabilidade é outro desafio. “O modelo atual de faturamento não colabora para construção de um modelo de pagamento baseado em valor. O modelo precisa ser sustentável, transversal e equilibrado”, defendeu o presidente da ABIIS.

A falta de uma forma sistemática, eficaz e padronizada de captar qual o envolvimento dos profissionais de saúde para prescrição e utilização das tecnologias médicas é também outro desafio para Walban Damasceno de Souza. “É preciso haver protocolos e exigir que eles estejam intimamente ligados aos resultados que são esperados. Estamos falando do compromisso comportamental de todos os envolvidos na utilização das tecnologias”.

Ele destacou que a ABIIS é uma aliança que se destina a fomentar estudos, dados e debates, em três pilares: aprimoramento institucional dos órgãos reguladores e a coerência regulatória; incorporação racional de tecnologias – enfatizando a necessidade de critérios diferentes para incorporação de tecnologias médicas, quando comparados com medicamentos; compliance e ética. “Estamos muito acostumados a falar da relação ganha-ganha. Mas eu defendo a relação ganha-ganha-ganha. Enquanto não conseguirmos equalizar a situação para que fornecedores, prestadores de serviço (e fontes pagadoras) e também pacientes sejam considerados, não vamos avançar”, disse. E lembrou que “o Brasil é um ‘continente’, com diferenças regionais e sociais importantes que precisam ser observadas. Precisamos entender transversalmente o sistema e como podemos trabalhar em parceiras”.

Também participaram do painel ‘Medindo valor de medicamentos e dispositivos médicos’, o professor da FGV, Gonzalo Vecina, a diretora do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos, Rosana Mastellaro, e o presidente eleito da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcelo Queiroga.

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