Falta de investimento e gestão enfraquecida impulsionam fusões e aquisições na Saúde

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Nos últimos dois anos, o United Health Group adquiriu seis hospitais no Brasil. Em 2016 foram Hospital Samaritano (SP), Hospital Santa Helena (SP), Hospital de Clínicas de Jacarepaguá (RJ), Hospital Pan Americano (RJ) e Hospital Santa Joana Recife (PE). No ano passado, o Hospital Ana Costa (SP). E o Fleury consolidou a aquisição do Instituto de Radiologia de Natal na casa dos R$ 90 milhões. Apresentando essas e outras informações de fusões e aquisições no segmento da saúde, o diretor de Saúde da Delloitte, Luis Fernando Joaquim, explicou os movimentos desse mercado no país, em sua apresentação no painel “Os Avanços e Oportunidades de Fusões e Aquisições que movimentam o setor de Saúde”, nesta terça-feira, 22) no I Congresso de Saúde Suplementar, evento organizado pela TM Jobs na Hospitalar 2018.

“Entre os motivadores para fusões e aquisições nessa indústria, está o fato de o segmento ser carente de gestão e os investidores o enxergarem como um mercado potencial e de retorno”, afirmou Joaquim, citando motivadores e desafios para tais transições, as quais, segundo ele, devem considerar quatro pontos: Eficiência de Custos, Adaptação ao mercado, Compliance e Regulatório e Inovação e Transformação Digital.

“Uma decisão errada pode estragar o processo todo, a relação de compra e venda tem que ser ganha-ganha”, explica Luiz De Luca, da De Luca Consultoria, que também participou do evento. Com a experiência de ter passado por dois grandes processos de fusões de hospitais, ele tornou-se advisor, um consultor para esse tipo de negociação. “É necessário ter humildade para aprender e trazer para a organização o conhecimento que não tinha antes”, classificou ele entre as lições aprendidas.

Mediador da mesa-redonda, o médico Jair Monaci, também destacou a importância da presença de um mediador no processo de compra e venda. “A ideia do debate sempre foi de trazer um aspecto prático, de qual é o sentimento de quem está vendendo, o posicionamento de quem está comprando, de que maneira o comprador vai participar da empresa”, explicou.

Case em Campinas

Presidente do Hospital Vera Cruz, Gustavo Sérgio Carvalho, vivenciou na pele esse processo durante três anos, tempo de maturação da transação de venda parcial do hospital de Campinas para a Holding Hospital Care. A fusão foi concluída em julho de 2017, e no final do ano, a holding recém criada por investidores consolidou a compra de outros dois hospitais em Ribeirão Preto (SP). “O objetivo da Hospital Care é realizar duas aquisições por ano, em cidades que sejam polos, e construir uma rede assistencial no seu entorno, para atender a demanda de baixa complexidade”, explica o médico.

Segundo ele, o momento da negociação é complicado e envolve as emoções. “O outro lado as vezes desvaloriza aquilo que você mais valoriza”, entretanto, sempre acreditou que a venda seria benéfica para o negócio e hoje comemora os resultados. “Nos seis primeiros meses, fechamos o primeiro ano com o dobro de Ebitda do que estava programado e o desafio para 2018 é dobrar de novo”, completa.

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