Hospital Dom Alvarenga realiza cirurgia cardíaca sem corte pela primeira vez

767
Colocação de cateter através do qual é implantado o dispositivo de oclusão
Foto: Dr. Glaucio Gerônimo, cirurgião cardiovascular do Hospital Dom Alvarenga

No início de fevereiro, o Hospital Dom Alvarenga, de São Paulo (SP), realizou sua primeira cirurgia cardíaca sem corte. O procedimento foi feito para corrigir uma anomalia chamada CIA – abreviatura para Comunicação Interatrial -, uma descontinuidade no septo que separa os átrios no coração, permitindo a passagem e mistura de sangue oxigenado com sangue pobre em oxigênio.

A cirurgia sem corte é realizada por meio do implante de uma prótese através de uma punção venosa, ou seja, introdução de um cateter. O procedimento acontece sob anestesia geral e o tempo cirúrgico é inferior – menos da metade – quando comparado a uma cirurgia tradicional.

De acordo com a equipe de cirurgia cardiovascular do Hospital Dom Alvarenga, Dr. Marcelo Morbeck, Dr. Ahmad Ali Abdouni e Dr. Glaucio Gerônimo, o grande diferencial está no período de recuperação pós-operatório. O paciente submetido à cirurgia com abertura do tórax, dependendo do seu perfil, leva cerca de 30 a 60 dias para retomar suas atividades. Quando o procedimento é realizado via cateter, o tempo cai para 15 dias. “Para que a recuperação ocorra de maneira rápida e sem grandes problemas, o paciente deve evitar fazer esforço físico de moderado a intenso, fazer uso das medicações prescritas de maneira correta e sem falhas”, destaca Dr. Marcelo Morbeck.

Em termos epidemiológicos, a CIA é uma anomalia com maior prevalência no adulto, respondendo por, aproximadamente, 35% de todos os defeitos cardíacos congênitos. Vale ressaltar, no entanto, que não é todo paciente portador de CIA que tem a indicação de correção cirúrgica ou percutânea, ou seja, sem cortes.

Segundo Dr. Marcelo Morbeck, os pacientes devem ser submetidos a uma avaliação clínica criteriosa para avaliar a viabilidade da realização do procedimento. Existem, até mesmo, situações onde a correção pode ser nociva ao paciente, como quando a CIA funciona como um alívio da pressão nos casos de insuficiência cardíaca direita.

Para o cirurgião, a realização desse procedimento pela primeira vez no Hospital Dom Alvarenga reforça os constantes investimentos da instituição em sua modernização de infraestrutura e qualificação da equipe. “Nota-se no Hospital uma crescente preocupação em relação à melhora contínua da qualidade, inovação e a inclusão de novas tecnologias. E o mais gratificante é ver o envolvimento, esforço e entusiasmo de todos os setores envolvidos”, finaliza.

Deixe seu comentário