Hospitais de referência firmam intercâmbio estratégico para ampliar acesso de pacientes da rede pública no Brasil a ensaios clínicos em Oncologia

O Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo (Brasil), e o Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSKCC), de Nova York (EUA), anunciaram hoje o lançamento de um programa-piloto para ampliar o acesso a ensaios clínicos em oncologia para pacientes do sistema público de saúde no Brasil. Liderada pelos dois hospitais, a iniciativa marca o primeiro projeto com foco no Brasil no âmbito do Pan-American Cancer Consortium (PACC), uma colaboração regional liderada pela Bloomberg New Economy International Cancer Coalition para reduzir lacunas no cuidado oncológico por meio do compartilhamento de expertise e inovação. A AstraZeneca e a Roche Farma Brasil apoiam juntas o projeto.

Iniciativa no Brasil: ampliando acesso e diversidade na pesquisa em câncer

Com duração de dois anos e implementação em fases, o programa-piloto foi concebido, estruturado e será conduzido por pesquisadores do Hospital Sírio-Libanês e do MSKCC, em colaboração com importantes hospitais públicos brasileiros, para estabelecer uma rede abrangente de encaminhamento para ensaios clínicos em oncologia. A iniciativa busca ampliar a participação de pacientes historicamente subatendidos em estudos clínicos, incorporação de testagem molecular, incluindo biópsia líquida (DNA tumoral circulante, ctDNA) no plasma, e de um sistema com apoio de inteligência artificial no sistema público de saúde, com base na experiência do MSKCC na integração de diagnósticos moleculares e recrutamento orientado por dados em larga escala. Ensaios clínicos oferecem aos pacientes a oportunidade de acesso a terapias oncológicas mais recentes, disponibilizando opções inovadoras de tratamento e contribuindo para o avanço do cuidado em câncer.

Cinco hospitais públicos oncológicos, que juntos atendem mais de 20 mil novos pacientes por ano, atuarão como polos regionais para triagem, realização de testes de DNA tumoral circulante (ctDNA) e encaminhamento para estudos clínicos. Pela primeira vez no sistema público de saúde brasileiro, pacientes elegíveis nesses centros terão acesso ao teste de ctDNA — uma ferramenta inovadora em oncologia de precisão que detecta DNA tumoral na corrente sanguínea, oferecendo informações sobre os fatores genéticos que impulsionam o câncer de cada paciente e possibilitando um direcionamento mais personalizado para ensaios clínicos.

Iskra Reic, Vice-Presidente Executiva Internacional da AstraZeneca, afirmou: “Na AstraZeneca, seguimos a ciência para transformar vidas, com a ambição de eliminar o câncer como causa de morte. Temos orgulho de apoiar a parceria entre dois hospitais de referência nas Américas, acelerando o acesso dos pacientes a potenciais benefícios terapêuticos e promovendo impacto imediato para populações subatendidas no Brasil.”

Lorice Scalise, Presidente da Roche Farma Brasil, afirma: “Na Roche, trabalhamos para levar nossas inovações a mais pacientes, mais rápido e com o menor custo social. A pesquisa clínica não é apenas ciência; é o motor que impulsiona o cuidado oncológico no Brasil. Diante do desafio divulgado pelo INCA dos 781 mil novos casos de câncer anuais em nosso país, renovamos nosso compromisso de transformar a jornada do paciente, garantindo que a geografia não seja uma barreira para o acesso à saúde de qualidade.”

Navegação inovadora de pacientes e triagem de estudos

Enfermeiros navegadores especialmente treinados serão responsáveis por avaliar os pacientes, coordenar os testes de ctDNA e inserir dados clínicos e moleculares em uma plataforma digital segura com tratamento de dados pessoais sensíveis conforme a LGPD e políticas de privacidade aplicáveis. Com o uso de um sistema baseado em inteligência artificial desenvolvido em parceria com o MSKCC, essa plataforma fará a correspondência entre pacientes e mais de 200 ensaios clínicos ativos em oncologia no Brasil, considerando perfil clínico, marcadores moleculares e localização geográfica.

“Este projeto reforça o papel do Hospital Sírio-Libanês como indutor de inovação e colaboração internacional em benefício dos pacientes no Brasil. Ao estruturar uma rede de encaminhamento para ensaios clínicos e incorporar tecnologias de medicina de precisão ao sistema público de saúde, ampliamos a aplicação prática do conhecimento científico e fortalecemos a participação do Brasil na pesquisa oncológica global. Acreditamos que a inovação cumpre seu verdadeiro propósito apenas quando alcança quem mais precisa, e essa convicção orienta nosso compromisso de transformar ciência em oportunidades concretas de cuidado”, afirmou Fernando Ganem, Diretor Médico do Hospital Sírio-Libanês.

“O MSKCC está comprometido em ser um centro de câncer para o mundo”, afirmou Jeffrey Drebin, MD, PhD, Diretor Médico Executivo do MSKCC. “Esta iniciativa reflete nossa responsabilidade de ampliar o impacto de nossa liderança científica e expertise em oncologia de precisão para além de nossas paredes. Ao compartilhar modelos comprovados para testes moleculares, encaminhamento para ensaios clínicos e navegação de pacientes, e ao trabalhar em estreita colaboração com o Hospital Sírio-Libanês e hospitais públicos do Brasil, buscamos ampliar o acesso equitativo a estudos clínicos inovadores em câncer e ajudar a garantir que os avanços na pesquisa oncológica beneficiem pacientes em todos os lugares.”

Esta iniciativa, liderada pelos investigadores principais Dr. Carlos dos Anjos e Dr. Guilherme Harada, do Hospital Sírio-Libanês, e Dr. Pedram Razavi*, do MSKCC, irá (com base em critérios de elegibilidade, avaliação médica e revisão ética — CEP/CONEP):

  • Ampliar o acesso a opções terapêuticas mais inovadoras para pacientes em situação de vulnerabilidade;
  • Aumentar a diversidade na pesquisa clínica;
  • Fortalecer a capacidade do Brasil de participar de esforços globais em oncologia de precisão.

Contexto do Consórcio Internacional

O Pan-American Cancer Consortium (PACC), apoiado pela AstraZeneca e liderado pela Bloomberg New Economy International Cancer Coalition, reúne especialistas em câncer da América Latina, dos Estados Unidos e do Canadá. Sua missão é enfrentar as desigualdades no cuidado oncológico, fortalecendo a colaboração regional e ampliando conselhos multidisciplinares de tumores digitais e transfronteiriços.

Redação

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