Artigo – À altura dos médicos do Brasil

A pandemia de Covid-19 deixa marcas de tristeza e dor em todos nós. Perdemos até agora mais de 600 mil brasileiros: não há palavras que expressem o sofrimento que assalta nossos peitos e mentes. São nossos pais, mães, irmãos, filhos, avós, amigos.

Ainda não é neste Dia do Médico 2021 que, enfim, respiramos aliviados, livres da fúria do SARS-Cov-2. É fato: os indicadores abrem esperança, contudo, as variantes dão sinal de alerta. Não é hora de relaxar nem saberemos quando será.

Aos médicos do Brasil, meus agradecimentos, como colega, como pai de família, como paciente. Vêm trabalhando com dignidade habitual, entregando-se para curar e salvar vidas; mesmo expondo-se a riscos.

Tenho orgulho e faço questão absoluta de agradecer em meu nome, em nome da AMB, e, certamente, como porta-voz de todos aqui e dos brasileiros, a cada um dos colegas médicos.

Aproveito para compartilhar boas notícias. Após decorridos oito meses de trabalho da Nova AMB, ou seja, nem 25% da gestão, é com imenso prazer que ocupo esse espaço para prestar contas das inúmeras ações empreendidas com êxito nesse período.

Inicio o rápido balanço destacando ponto que nos é muito caro: a absoluta independência com que a AMB passou a reger suas decisões.

Independência equidistante de qualquer interesse político-ideológico, honrando a missão primordial, que é focar o exercício de qualidade da Medicina e defender o trabalho do médico em condições excelentes, com resolubilidade, infraestrutura adequada e remuneração digna. Isso com vistas a oferecer a melhor assistência à população.

Uma novidade em primeira mão a você: acabamos de criar o Núcleo de Atuação Parlamentar, o NAP. É gerido pela AMB, tendo em seu arcabouço todas as sociedades de especialidades e Federadas, sem que aportem um único centavo. A meta é buscar competência, excelência e resultados em nossa relação com o Congresso Nacional.

A diretoria de Assuntos Parlamentares vem se dedicando com abnegação ao NAP. Já temos em Brasília assessoria par lamentar e equipe eficiente de advogados em interação permanente com deputados e senadores na Frente Parlamentar de Medicina. O lançamento oficial foi em 6 de outubro.

Repito: todo o investimento é exclusivo da AMB, para liberar as especialidades e Federadas de mais despesas em momento tão delicado da economia.

Vale reafirmar que o NAP é órgão da AMB em parceria somente com suas Federadas e sociedades de especialidades. É braço do movimento associativo que detém todo o protagonismo da interlocução com o Congresso. Não queremos nem teremos intermediários para conduzir ações junto aos deputados, à Frente Parlamentar.

Não haverá contaminação qualquer, mantendo-nos sem viés político-ideológico e vacinados contra interesses outros. Seremos gratos aos parlamentares que nos auxiliarem e que tenham como meta principal a causa da boa Medicina e da Saúde. Contudo, o protagonismo será sempre dos médicos do país.

Relato ainda que neste primeiro quarto de gestão, realizamos reuniões com todas as 54 sociedades de especialidade e as 27 Federadas. Foi para ouvi-las, para que expressassem pareceres sobre o movimento associativo, sobre o que esperam da AMB e o que podemos construir em parceria. Assim, vamos firmando relação transparente para o cumprimento de deveres estatutários em sintonia com as necessidades de todo o associativismo.

Nestes encontros, maturamos debates sobre profissionais não-médicos praticando atos que nos são privativos. Daí, criamos o Núcleo de Proteção do Ato Médico o NUPAM, como poderão conferir em reportagem especial. A Defesa Profissional tem sido decisiva nesses processos.

Outro projeto digno de registro é o PROGEB, Programa de Educação para o Médico Generalista do Brasil. A programação cobre os conteúdos essenciais das 55 especialidades médicas, além de discussão de casos clínicos e reais, tutoriais semanais e videoaulas teóricas. É gratuito aos associados AMB.

Também nos orgulha a organização da ASB, a Aliança pela Saúde no Brasil. Foi pensada, costurada e ganhou vida na AMB. Conquistamos o apoio de algumas das mais expressivas instituições do Brasil. Assim, nasce um pacto social que pode mudar os rumos da assistência.

Por fim, o melhor: implantamos um sistema de governança corporativa na AMB. Em síntese, são regras e métricas para administração austera, racional, com lisura, quantificação de resultados e transparência, visando aos objetivos coletivos, aos interesses dos médicos e da Saúde.

Estamos recompondo memórias e documentos, antes bem desordenados. Reestruturamos os recursos humanos, trazendo colaboradores com nível de competência e aptidão indispensáveis. A secretaria geral hoje funciona com mais regularidade e há investimento em soluções digitais importantes. A Tesouraria cortou milhões em gastos, com o que reduzimos desperdícios que drenavam quase todas as nossas receitas. Temos agora uma administração forte, competente, bem orientada, sem qualquer conflito de interesse.

Enfim, temos feito todos os ajustes necessários. E é apenas o começo do que ainda virá. Certamente, vamos colher muito para os médicos e a AMB, juntos.

César Eduardo Fernandes é presidente da Associação Médica Brasileira (AMB)

Redação

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