Artigo – Para muitos, Covid-19 longa se parece com a síndrome da fadiga crônica

Uma equipe de pesquisadores, incluindo a Johns Hopkins Medicine, publicaram um artigo de revisão destacando semelhanças entre certos sintomas persistentes após a Covid-19 – uma condição chamada “Covid longa” – e a encefalomielite miálgica ou síndrome da fadiga crônica.

Em sua revisão, publicada em 16 de agosto de 2021, nos Proceedings of the National Academy of Sciences, Paul e seus co-autores destacam a evidência vista tanto na covid-19 aguda quanto na síndrome da fadiga crônica (SFC).

Em particular, os pesquisadores sugerem um papel central para a forma como as células se comportam quando muitas moléculas de oxigênio se acumulam em uma célula – um processo chamado estresse oxidativo ou desequilíbrio redox. A equipe descreve como o desequilíbrio redox pode estar conectado à inflamação e aos distúrbios do metabolismo encontrados nas duas doenças.

Paul estudou anteriormente o papel do estresse oxidativo em condições como a doença de Huntington, a doença de Alzheimer e a doença de Parkinson.

Em agosto de 2021, aproximadamente 36 milhões de americanos foram diagnosticados com Covid-19. “Ainda não sabemos quantos desses pacientes terão Covid longo, mas estima-se que pelo menos 7% experimentem sintomas prolongados”, disse o co-autor Anthony Komaroff, MD, Steven P. Simcox, Patrick A. Clifford e James H. Higby Distinguished Professor of Medicine na Harvard Medical School.

A equipe de especialistas recomenda que parte do financiamento recente do National Institutes of Health designado para estudar os efeitos de longo prazo da Covid-19 na saúde seja usado para investigar a Covid longa e o SFC. Esses estudos, acreditam, podem lançar luz sobre outras doenças caracterizadas por estresse oxidativo, inflamação e distúrbios metabólicos.

SFC é uma condição complexa que afeta de 1 milhão a 2,5 milhões de pessoas nos Estados Unidos. É caracterizada por um conjunto de sintomas, incluindo fadiga severa e debilitante, sono interrompido e não reparador, dificuldade de pensar (comumente chamada de “névoa do cérebro”), anormalidades do sistema nervoso autônomo e mal-estar pós-esforço – um surto de múltiplos sintomas após esforço físico ou cognitivo.

Fonte: Bindu D. Paul et al, Redox imbalance links COVID-19 and myalgic encephalomyelitis/chronic fatigue syndrome, Proceedings of the National Academy of Sciences (2021). DOI: 10.1073/pnas.2024358118

Rubens de Fraga Júnior é professor titular da disciplina de gerontologia da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná. Médico especialista em geriatria e gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG)

Redação

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