Assistência às vítimas de queimadura precisa ser discutida e ampliada, defende Anadem

Com o objetivo de alertar sobre os cuidados para evitar acidentes com fogo e demais agentes que causam ferimentos, neste mês ocorre a campanha ‘Junho Laranja’. Segundo estimativas do Ministério da Saúde, mais de 100 mil pessoas por ano são vítimas de acidentes envolvendo queimaduras no país. Mesmo com o número alarmante, há pouco esclarecimento a respeito da assistência oferecida neste tipo de ocorrência.

Em geral, após o acidente, a vítima de queimadura fica algum tempo impedida de trabalhar, necessitando de recursos para transporte, aquisição de malha, filtro solar e hidratantes, sem receber benefício financeiro para suprir suas necessidades básicas. Para reforçar a importância de ampliar a discussão sobre o assunto, a Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética (Anadem) elenca iniciativas existentes e outras em andamento.

“Projetos que tratam do assunto precisam avançar e ser ampliados. São milhares de pessoas acometidas por situações desta natureza e muitas precisam de amparo hospitalar, procedimentos cirúrgicos e enfrentam problemas graves. A maior parte das vítimas necessita de auxílio tanto para a recuperação como para sua reinserção às atividades sociais”, explica o especialista em direito médico e presidente da Anadem, Raul Canal.

Assistência

Entre as propostas que tratam do assunto, há o Projeto de Lei 4558/19. Em tramitação há três anos na Câmara dos Deputados, ele elenca os direitos das pessoas com sequelas graves resultantes de queimaduras e garante assistência integral à pessoa com sequela de queimadura para promover sua reinserção social por meio de reabilitação física, estética, psicológica, educacional e profissional. O PL também estende a essas pessoas os benefícios e isenções fiscais federais concedidos às vítimas de doenças graves.

Transporte

Embora a queimadura não seja considerada uma deficiência, há empresas que fornecem o uso da cota de transporte para alguns casos específicos. Consulte a tabela de CID – Código Internacional da Doença – da empresa de ônibus de sua cidade/Estado. Caso sua situação se enquadre, solicite ao seu médico um laudo, junte os demais documentos solicitados pela empresa de ônibus e busque esse benefício. Em muitos casos, ele é concedido até para o acompanhante.

Materiais

Após a alta hospitalar, uma das principais necessidades do paciente que sofreu queimaduras é a malha compressiva. Importante para o tratamento, ela funciona na prevenção de cicatrizes e queloides e tem como objetivo impedir o desenvolvimento de sequelas, como retrações cicatriciais. Em razão de não estar disponível na rede pública e devido ao seu alto custo, muitos não conseguem adquiri-la.

Existem algumas ONGs espalhadas pelo Brasil que fornecem o material gratuitamente a partir de prescrição médica. Informe-se no serviço social de sua cidade/Estado ou realize busca pela internet. Além da malha, muitas oferecem doação de óleos hidratantes, filtro solar e até mesmo reabilitação com atendimento especializado por meio de equipe multidisciplinar.

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