Brasil realiza 600 mil cirurgias de hérnias abdominais a cada ano

As hérnias da parede abdominal são doenças com alta prevalência na população e o tratamento é exclusivamente cirúrgico. Apenas no Brasil são realizadas 600 mil cirurgias para correção deste defeito abdominal, considerando os sistemas público e privado de saúde, segundo dados da Sociedade Brasileira de Hérnia.

A doença é uma abertura na musculatura do abdômen que permite a passagem de uma porção de gordura ou de um órgão através dela, causando dor e desconforto ao paciente, principalmente durante a prática de atividades físicas. Complicações como o estrangulamento e o encarceramento são consideradas casos graves e podem exigir cirurgia de emergência.

No SUS foram realizados 148.4 mil procedimentos de correção de hérnias em 2021, sendo que do total 39 mil foram casos de urgência. Entre janeiro e maio deste ano, a soma já chega a 95,5 mil, com 19 mil casos de emergência. Em 2019, antes da paralisação das cirurgias eletivas devido a pandemia, o número de procedimentos chegou a 387,3 mil, sendo 45 mil urgências.

O cirurgião e presidente da Sociedade Brasileira de Hérnia, Dr. Marcelo Furtado, explica que casos graves que não recebem o tratamento adequado podem levar à morte. “Isso acontece porque a hérnia estrangulada corta a circulação sanguínea e pode levar à gangrena e, consequentemente, a morte do órgão e do paciente”, ressalta. “As hérnias de tamanho médio, que medem entre dois e dez centímetros, e as hérnias femorais (que acontecem na região da virilha, principalmente em mulheres), são as que têm maiores riscos de complicações”.

Gustavo Soares, cirurgião e vice-presidente da SBH, ressalta que o ideal é que os atendimentos sejam feitos antes de possíveis complicações. “Tratar o paciente com hérnia da forma mais breve possível, após o diagnóstico com indicação cirúrgica, é essencial para evitar casos mais graves e cirurgias mais complexas”.

De todos os tipos de hérnias abdominais, as que ocorrem na virilha e são chamadas de inguinais, são as mais frequentes na população, representando 75% do total de casos, e são mais comuns em homens.

Recuperação cirúrgica – O tempo de recuperação vai depender sempre do tipo de cirurgia realizada e do tamanho da hérnia do paciente. Após o tratamento cirúrgico é possível retomar a rotina de atividades, respeitando o período de repouso.

É o caso do trabalhador rural Valperino Barbosa, de 55 anos, que vive no município de Lagoa da Confusão, no interior de Palmas, que foi operado no último mutirão realizado pela SBH. Ele estava com uma hérnia complexa e aguardava a cirurgia há três anos.

“Não consegui mais trabalhar e tinha restrição para muitos movimentos. nem acredito que este dia chegou, estou bem e tive muita por ter sido chamado por este mutirão. Recebi toda a atenção dos médicos e equipe do Hospital Geral de Palmas e dos cirurgiões que vieram de fora. Espero ter uma vida normal em breve”, declarou Valperino.

Com o objetivo de reduzir a fila de espera do SUS, a SBH realiza, anualmente, mutirão de cirurgias de hérnia para atender os pacientes que aguardam há mais tempo pela na lista do sistema público de saúde.

Para saber mais, acesse o site: sbhernia.org.br

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