Casa de Cura: hospital de Rondônia é referência em saúde para lideranças indígenas

Quando o assunto é saúde indígena, aliar medicina de qualidade com o respeito às tradições dos povos originários é um desafio e, nesse sentido, o Hospital Bom Pastor é referência nacional pelo trabalho que realiza em Guajará-Mirim, no interior de Rondônia, na fronteira do Brasil com a Bolívia.

A unidade fica em uma região de Guajará-Mirim (RO), Cone norte do Estado, divisa com a Bolívia, onde reúne 60 aldeias, e o trabalho de humanização envolve diversas funcionalidades aparentemente incomuns a uma unidade hospitalar convencional.

Em parceria estratégica com SESAI, DSEI/PVH e CASAI de Guajará-Mirim, o hospital fornece suporte completo aos pacientes e acompanhantes, contando com:

· Horta medicinal: cultivo de ervas medicinais, utilizadas na prática diária para proporcionar familiaridade e conforto.

· Tradução: O corpo de enfermagem contam com colaboradores indígenas fluentes na língua Chapacuras ou Txapakura que fazem a tradução e interação, garantindo o atendimento das necessidades dos pacientes.

· Chapéu de Palha: espaço onde os pacientes podem passar o dia, mesmo sob tratamento e com acesso venoso levar soro e permanecer num ambiente culturalmente familiar.

· Redário: estrutura de redes nos espaços externos e de internação para pacientes e acompanhantes.

· Internação diferenciada: permite que pacientes indígenas tenham mais de um acompanhante, acomodações adaptadas para receber seus familiares.

Para Bianca Abiorana, enfermeira do Coordenadora de Enfermagem do Hospital Bom Pastor, a adaptação vai além do conforto do paciente.

“A adaptação do ambiente hospitalar no atendimento aos pacientes indígenas faz parte do tratamento humanizado, respeitando e reconhecendo suas culturas. Essas medidas ajudam o paciente a se sentir acolhido, tornando a recuperação mais rápida e eficaz”, explica a profissional.

Casa de Cura

Presentes desde a construção da unidade, na década de 60, os povos indígenas associam o espaço como uma Casa de Cura. Atualmente, para as lideranças indígenas, a história da unidade anda lado a lado com a história de suas comunidades.

“Não é só um hospital, é uma Casa de Cura pra gente. Que continue atendendo os anseios dos nossos parentes que procuram se curar, porque esse hospital tem uma história conosco, com nossos antepassados, com nossas lideranças. Que esse hospital continue acolhendo nosso povo com muito carinho e respeito”, diz Nimon Oroeu, Coordenador da Organização Oro Wari.

“O que se destaca é o espaço que o hospital oferece à população indígena, onde eles possam caminhar, onde tem árvores, onde tem uma horta, onde tem um chapéu de palha, onde possam se sentar com seus filhos”, Aldinéia Balbino Sabino, Secretária da Organização Oro Wari.

Redação

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